Metal Open Mind

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - ORDEN OGAN


Orden Ogan (A Ordem do Medo) é um grupo de power metal melódico oriundo da Alemanha que vem se tornando num dos melhores do gênero na atualidade. A fusão do power com elementos folk não é novidade, mas o quinteto aperfeiçoou a abordagem, e criou mais um excelente álbum. Desta vez com uma temática de "cowboy do velho oeste", o álbum Gunmen supreende não só pela produção cuidada, como também pelo chumbo grosso das 10 novas canções, todas elas repletas de coros massivos nos refrões que conferem um tom épico e sinfônico pra lá de memorável.


A faixa título que abre o álbum já coloca o ouvinte em estado de êxtase diante de uma avalache sorona digna de bandas como Blind Guardian, mas como referi no parágrado anterior, com o diferencial da temática pouco comum no gênero. Ao invés das tradicionais histórias mitológicas da terra-média, temos um enredo bem mais inusitado, que conta a história de um homem que vê sua esposa ser morta por bandidos ("Fields of Sorrow"), que sai em busca de vingança ("Gunman"), que pondera o suicídio após atingir seu objetivo ("Come With Me To The Other Side" - faixa que conta com a participação especial da vocalista Norueguesa Liv Kristine), mas que acaba se tornando num vigilante sem remorsos ("Vampire in Ghost Town"). Bom pelo menos é o que pode se depreender destes 4 temas, todos eles com videos lançados (lyric ou não) para ilustrar esta curiosa estória.


O álbum funciona bem como um todo, e apesar desta temática Western não ser totalmente original no metal (estou me lembrando dos italianos Redwest e dos Alemães Dezperadoz por exemplo), é a primeira vez que ouço uma banda de power metal deste calibre abraçar a idéia também. Ainda é cedo para saber se vão prosseguir com a temática, ou se foi apenas um tiro solitário em sua discografia. De qualquer forma Gunmen tem tudo para se transforma num clásssico do estilo.


O álbum saiu no início de Julho passado, e durante os shows de lançamento distribuíram gratuitamente o cd Gunmen Live, de 10 temas, 7 deles da novidade Gunmen, cortesia de sua editora AFM Records. Depois disso o grupo fez uma bem sucedida tour pela Europa nos mêses de Outubro e Novembro, e já se preparam para a maratona de festivais deste ano, que incluirá Hellfest (França), Bloodstock (Reino Unido), Summer Breeze (Dinamarca), Sabaton Open Air (Suécia), Evoken Fest (Japão), entre muitos outros. Quem sabe alguém se lembre de trazê-los ao Brasil, não é?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - ONE DESIRE



One Desire é uma banda de A.O.R. / Melodic Rock oriunda da Finlândia. Foi formada pelo baterista Ossi Sivula em 2012 e depois de diversas formações, estabilizou-se com a entrada do guitarrista/produtor Jimmy Westerlund e do vocalista Andre Linman (ambos ex-Sturm und Drang), e finalmente com a entrada do baixista Jonas Kuhlberg (ex-Cain's Offering). Em 2015 já tinham despertado o interesse de Serafino Perugino da Frontiers Records, e o resultado está patente nas 10 canções deste excelente debut editado pelo selo italiano em Março do ano passado.


Três singles já foram retirados do álbum, "Hurt", "Apologize" e a balada "This Is Where The Heartbreak Begins", bons exemplos da capacidade de composição do coletivo. Apesar de citarem bandas como Def Leppard, Toto e Journey como influência principal, sua sonoridade é ligeiramente mais pesada e moderna, estando mais próxima de bandas Suécas como H.E.A.T. e Eclipse. Aliás o One Desire foi open act de uma recente (e curta) tour do Eclipse na Inglaterra. No geral o One Desire mostra grande potencial e não decepcionará os fãs do estilo. Mais uma nova banda a nascer grande com o aval da Frontiers, o que por si só já é sinônimo de qualidade.



Em tempo: Tenho quase a certeza de que a banda contou com um vocalista Brasileiro no início de atividades, quando ainda se chamavam OD. Infelizmente não consegui confirmar esta informação, e a própria banda já rebatizada de One Desire, apenas refere que "diversos músicos" passaram pela banda antes da entrada de Jimmy Westerlund. De qualquer forma, o Finlandês André Linman caiu como uma luva na sonoridade da banda, e isso é o que realmente importa.

domingo, 28 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - BLACK COUNTRY COMMUNION



O Black Country Communion é um super grupo formado em 2009 pelo vocalista/baixista Glenn Hughes e o guitarrista Joe Bonamassa, contando ainda com o baterista Jason Bonham (filho de John Bonham do Led Zeppelin) e o tecladista Derek Sherinian (ex-Dream Theater). Após 3 ótimos discos de estúdio, Bonamassa deixa o projeto em 2013 e Hughes anuncia o fim prematuro do coletivo. O hiato duraria apenas 3 anos, e o BCC anuncia o regresso com Bonamassa em 2016, e o resultado da reunião está patente na edição de mais um ótimo álbum, este BCCIV lançado no ano passado.




As quatro primeiras canções do novo álbum tiveram videoclips de promoção, são elas: "Collide", "Over My Head", "The Last Song For My Resting Place" e "Sway", todas elas muito boas. O mais recente vídeo é "Wanderlust" lançado há duas semanas atrás. Dos restantes 5 temas que compõem BCCIV ainda dá pra destacar as zeppelianas "The Crow", "Love Remains" e a ótima "Awake".



A maior crítica que se pode fazer ao projeto é o resgate da sonoridade característica de bandas como Deep Purple e Led Zeppelin, o que ao meu ver surge de forma natural e satisfatória, afinal Glenn fez parte da formação do Deep Purple (MKII e MKIII), e Jason é um grande baterista (tal como seu Pai) e fez parte do show de reunião do Led Zeppelin em 2007, que resultou no lançamento do filme e concerto "Celebration Day" em 2012. Então eles não estão tentando reinventar a roda por aqui.



Resta saber se a parceria terá continuidade, pois Glenn, Joe, Derek e Jason são excelentes músicos, e estão envolvidos em outros projetos também. Não se sabe o real motivo da saída de Bonamassa em 2013, mas se não houver nenhuma conflito de interesses (leia-se "brigas de ego"), teremos mais do Black Country Communion no futuro. A capa do álbum passa a idéia do renascimento (Phoenix) do supergrupo, e reflete a importância de manter a formação inicial inalterada.


O classic rock está mais vivo do que nunca, e projetos como o Black Country Communion são mais que bem vindos no cenário da música atual, e servem no mínimo para lembrar que a fórmula de outrora do blues rock ainda funciona muito bem nos dias de hoje.

sábado, 27 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - CYHRA



O Cyhra é um projeto de metal melódico oriundo da Suécia que reúne músicos bem rodados, são eles: O baixista Peter Iwers e o guitarrista Jesper Strömblad que tocaram no In Flames, o guitarrista Euge Valovirta que veio do Shining, o baterista Alex Landenburg que teve passagens por inúmeras bandas (Annihilator, Rhapsody, Axxis, Mekong Delta, etc), e finalmente o vocalista Joacim "Jake E" Lundberg que veio do Amaranthe. Aliás, é justamente a linha musical deste último, que se vê adotada pelo Cyhra. No Amaranthe Jake E (ex-Dreamland) dividia a tarefa com outros 2 vocalistas, sendo o responsável pela vozes limpas. Após 4 álbuns de estúdio deixa o gupo em 2017, para formar  este novo supergrupo, onde agora assume sozinho a voz principal.

Esta sonoridade super produzida e refinada, que mistura peso e muita melodia, é em geral muito mal recebida dentro da comunidade heavy metal "tradicionalista". Muito por culpa da assumida vertente "pop" de sua sonoridade, com os elementos eletrônicos e o excesso de pomposidade de canções hiper-melódicas e refrões orelhudos. Mas o Cyhra não abdica do peso das guitarras, nem de uma estrutura bem coesa em termos instrumentais. Respeitando as devidas proporções, dá pra dizer que são uma espécie de Linkin Park europeu, sem a parte do hip hop, rap e afins, e a meu entender com um resultado muito mais satisfatório que os norte-americanos alguma vez conseguiram alcançar.




O debut Letters To My Self lançado no ano passado traz 12 canções que farão as delícias de quem curte metal melódico sem preconceitos, principalmente naquela linha mais power de bandas como Kamelot por exemplo. O tema "Karma" (video acima) foi o primeiro single a ser retirado do álbum, e é um ótimo exemplo de sua amplitude sonora e orientação comercial, tal como a faixa "Letter to My Self", o segundo single do álbum, e que juntos representam bem a totalidade da obra.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - PROJECT46


Desde a primeira vez que ouvi o som do Project46 com o primeiro longa Doa a Quem Doer de 2011, sabia que estava diante de uma grande banda, cujo potencial poderia levá-los muito longe. Há vários fatores que fazem deles uma banda diferenciada, a sonoridade abraça diversas vertentes da música extrema, as letras de cunho político/social, a competência técnica, e principalmente a entrega ao vivo.

Com o terceiro trabalho, intitulado "Tr3s", conseguem ir um pouco mais além em termos melódicos mas sem perder NADA em termos de agressividade. A diferença mais marcante está nas bridges e refrões, cujas vozes/coros surgem harmonizadas tornando as músicas bem mais memoráveis. Os novos integrantes (Baffo Neto no baixo e Betto Cardoso na bateria) também fazem a sua estréia nesta novidade, elevando o nível de execução a um patamar ímpar em termos de metal nacional. A produção a cargo de Adair Daufembach também é digna de nota, tudo soa muito bem equilibrado (as guitarras estão demais!), e posso apostar que o produtor teve mão no cuidado melódico das canções, algo que somou demais na sonoridade do grupo, sem que perdessem suas características principais.

O videoclipe para o tema "Pânico" também está entre as grandes produções do ano passado. Contando com câmeras rotativas e alguns efeitos especiais raros em bandas do gênero, dão um sentido ainda mais forte ao tema em questão, a síndrome do Pânico. Assista abaixo:


Já o tema Corre é uma ode as famosas rodas punk, adaptada pelos headbangers que "dançam" de forma aparentemente violenta, mas que no fundo são parte integrante da extrapolação de energia e comunhão entre os fãs de música extrema, que respondem a música debitada em palco. Confira no video abaixo com imagens ilustrativas de como é um show do Project46.



Metal extremo é um tipo de música que exige muito dos músicos em termos criativos. A produção cuidada, muitas vezes incompreendida pelos fãs mais radicais, quando coerente com o potencial da banda, torna-se um fator determinando para o sucesso da mesma. É justamente este o caminho que o Project46 tem trilhado, surpreendendo a cada novo lançamento, e "Tr3s" está aí mais uma vez para colocar a música extrema nacional, no mapa do metal mundial, ainda que cantando em Português.

domingo, 14 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - STEVEN WILSON


Considerado com um dos grandes nomes do rock progressivo na atualidade, Steven Wilson chega ao seu quinto álbum a solo, e desta feita inspirado por artistas pop como Peter Gabriel, Kate Bush, Talk Talk e Tears for Fears, que segundo ele mesmo afiirma, o influenciaram em sua juventude. Tendo em conta seus mais de 30 anos de carreira, 20 dos quais a liderar o Porcupine Tree, Steven não precisa provar mais nada a nínguém, e isso está bem patente neste "To The Bone", um trabalho que ainda mantém os principais elementos que o tornaram famoso, e ainda assim surpreende na roupagem pop de alguns temas, sendo o exemplo mais flagrante o single "Permanating" (video abaixo), que analisado isoladamente deixou muitos fãs com a pulga atrás da orelha.



Se evitarmos um julgamento precipitado, podemos concluir que estamos diante de mais um grande trabalho de Steven Wilson, onde o melhor do músico britâncio se faz presente em cada tema de "To The Bone", seja nos momentos mais introspectivos como "Pariah" onde faz dueto com a vocalista israelita Ninet Tayeb, ou em momentos mais descontraídos como na faixa título que abre o álbum. O tema "Refuge" por exemplo, fica no meio termo, mas conta com ótimos solos de harmônica e guitarra.



As letras também soam profundas, como em "Nowhere Now", que fala sobre a condição humana. Cantada de forma casual, só nos damos conta da mensagem quando paramos para prestar atenção nas letras. Momentos como este em particular, me fez lembrar a fase do Rush no final dos anos 80, onde o bom gosto dos arranjos e a execução instrumental tornam a canção memorável.


No geral, a proposta de Steven Wilson em "To The Bone" é clara e de fácil imersão, mas não se trata de um trabalho simplista, longe disso. Temas como "The Same Asylum As Before" sintetizam a essência de sua música, ou seja, progressão bem doseada com direito a climax, sem exageros instrumentais, mas com uma tremenda sensibilidade musical.

sábado, 13 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - CORRODED



Que grata surpresa ouvir pela primeira vez o Corroded! Como nunca tinha ouvido falar deste quarteto Suéco, pensei que se tratasse de seu álbum de estréia, mas na verdade "Defcon Zero" é o quarto trabalho de estúdio de uma carreira bem sucedida que teve início em 2004. A sonoridade do grupo é pesada e melódica, e este equilíbrio se mantém durante os 11 temas do álbum. O tema de abertura "Carry Me My Bones" mostra de cara o potencial da banda, com riffs de guitarra na linha Metallica/Megadeth a se impor após o início acústico e com nuances doom. O vocalista/guitarrista Jens Westin acompanha bem a parte melódica da canção e não se inibe em apresentar registros mais rasgados sempre que necessário. Confira abaixo no videoclipe do tema em questão.



A produção é realmente muito boa, e a sonoridade que o grupo explora nos remete ao que de melhor já se produziu em território norte-americano em termos de rock/metal de cariz moderno. Em alguns momentos parece que estamos diante de um mix de Nickelback/Godsmack, em temas como "Gun and a Bullet" ou a galopante "Fall of a Nation" por exemplo. Confira esta última no lyric video abaixo.



O Corroded pode não ser a banda mais original oriunda da Suécia, mas a competência e o bom gosto são latentes, principalmente no que diz respeito ao acabamento melódico das canções, ou seja, os refrões orelhudos e memoráveis abundam por aqui. Outros temas que se destacam são "Vessels of Hate" e "Burn it to the Ground". No geral "Defcon Zero" é um ótimo álbum, pesado que baste, bem balanceado, e muito agradável de se ouvir.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - GRAVE PLEASURES


Saudades do rock gótico dos anos 80? O romantismo obscuro e dançante de bandas como The Cure, The Mission, Sisters of Mercy, Echo and the Bunnymen e Bauhaus fizeram a sua cabeça e colocaram o seu "esqueleto a abanar" em alguma discoteca enebriante da era post-punk? Então, o Grave Pleasures é a banda que você deve conhecer agora, pois irá te proporcionar uma incrível viagem no tempo. Experimente por exemplo a excelente "Joy Through Death" (video abaixo), e sinta toda a nostalgia do gênero num tema que trata a morte com algo belo e libertador.


O grupo surgiu em Helsinki em 2010 sob o nome Beastmilk, mas após o álbum de estréia em 2013, o vocalista Mat McNerney e o baixista Valtteri Arino recrutam 3 novos integrantes, rebatizam o projeto, e lançam "Dreamcrash" em 2015. "Motherblood" é portanto, o segundo longa duração desta nova fase do quinteto Finlandês, um ótimo regresso que sintetiza o melhor do rock gótico na atualidade. Na belíssima capa do álbum temos a representação da deusa Hindu Kali, a divina "mãe" do universo, a destruidora de toda a maldade. Aliás, o videoclipe para o tema "Be My Hiroshima" (metáfora para uma morte sem dor) é na verdade uma meticulosa interpretação da lenda onde a guerreira caçadora de demônios surge implacável e com o corpo de seu esposo Shiva caído a seus pés. A capa nada mais é do que um still dessa produção assinada pela artista Finlandesa Tekla Valy.



Musicalmente, o que mais chama a atenção em "Motherblood" é a performance do vocalista McNerney, com pelo menos dois registros principais, um mais grave a lá Peter Murph (Bauhaus) e outro mais agudo que lembra muito Robert Smith do The Cure. Já o instrumental, apesar de simples, é bem executado, dinâmico e coeso, com destaque para o baixo pulsante de Arino. O álbum teve lançamento mundial assegurado pela Century Media Records, e o energético tema de abertura "Infatuation Overkill" foi single de avanço, um tema que coloca o ouvinte de cara no clima pré-apocalíptico que percorre os quase 40 minutos de sua audição. Extremamente recomedado!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - GOTTHARD



Com 25 anos de carreira nas costas, o Gotthard comemora as bodas de prata com este "Silver", seu 12º álbum de estúdio, o terceiro com Nic Maeder no lugar do vocalista original Steve Lee, que perdeu a vida num acidente de motocicleta em 2010. Mais uma vez o quinteto surpreende pela qualidade musical fazendo juz ao status de uma das maiores bandas de rock da Suíca. A galopante abre alas "Silver River", com refrão forte e melódico, e a sequência com "Electrified", já colocam o ouvinte no clima upbeat consistente e "classudo" da banda. É claro que não faltam momentos mais amenos como "Stay With Me", num claro piscar de olhos ao trabalho mais memorável de bandas como Whitesnake. Confira o vídeo deste single abaixo:


A versatilidade do vocalista Nic Maeder também é notória em temas como "Miss Me", com um registro muito próximo do finado Chris Cornell. Apesar de fugir um pouco da linha habitual da banda, nota-se um perfeito equilíbrio de execução, num tema que transpira bom gosto e sensualidade. Confira o video do tema em questão abaixo.



Considerando os dois temas bonus da versão digipack ("Walk On" e "Customized Love"), temos no total 15 ótimas canções, que mantém o ouvinte entretetido e satisfeito durante toda a audição. O que mais impressiona no entanto, é a vitalidade da banda, que conseguiu se reerguer rapidamente, e promete manter o nível de excelência melódica, quiça, por mais 25 anos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MOM TOP30 2017 Countdown - AVATARIUM


Terceiro longa dos Suecos Avatarium, banda criada pelo baixista Leif Edling in 2013. Quem acompanhou a carreira de Leif na banda doom Candlemass, ou em projetos mais ousados como Abstrakt Algebra e Krux, sabe que sua obra nunca decepciona. No entanto, por motivos de saúde, Leif se afasta dos palcos em 2014, fato que gerou dúvidas da sua continuidade no projeto.

A novidade "Hurricanes and Halos" ainda traz a assinatura do baixista, porém o guitarrista Marcus Jidell (Soen, The Doomsday Kingdom, ex-Evergrey) e sua lindíssima esposa, a vocalista Jennie-Ann Smith, assumem uma boa parte das composições. O que de certa forma explica as diversas roupagens musicais que o grupo explora nas 8 canções do álbum, sempre com bom gosto e muita sofisticação.

O tema de abertura é excelente "Into the Fire / Into the Storm", com uma pegada mais rápida, e refrão forte e pegajoso. O uso de órgão, cortesia de Rickard Nilsson, ajuda criar aquela áura das grandes bandas de hard rock setentista, como Deep Purple e Uriah Heep. Algo que se repete mais a frente em "The Sky at the Bottom of the Sea". No entanto a banda aposta num tema mais comercial como avanço do álbum, e acho que isso acaba atrapalhando um pouco a aceitação deste trabalho. Veja o clipe de "The Starless Sleep" abaixo, um bom tema, mas sem o peso característico da composição de Leif, como nas sabáticas "Medusa Child" e "A Kiss (From The End of The World)".


A voz bluesy de Jennie é um tempero muito especial na sonoridade densa do gupo, pois torna a audição mais fácil e agradável, e retira um pouco daquele clima sorumbático típico do gênero. Sem dúvidas um ótimo álbum de soft doom para metalheads mais sensíveis ou menos exigentes.