Metal Open Mind: 2017

sábado, 30 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - MARTY FRIEDMAN



Acompanho o trabalho do guitarrista Marty Friedman desde os tempos do Vixen/Hawaii no início da dácada de 80, porém foi com o projeto Cacophony (ao lado de Jason Becker) que começei realmente a apreciar seu estilo de tocar. Depois disso manteve-se ocupado durante toda a década de 90 como integrante fixo do Megadeth. No entanto, ainda antes da fama que alcançaria ao lado de Dave Mustaine, lança "Dragon's Kiss", o execelente debut em carreira a solo. De lá para cá foram 12 álbuns de originais, sendo "Wall of Sound" o mais recente editado em Agosto passado. O single de avanço foi "Self Polution", justamente a faixa que abre o álbum, um tema instrumental bem trampado, intenso, e rápido no início e no fim, com parte da música pelo meio em jeito de balada clássica com os habituais solos de guitarras, sempre melodiosos e hiper sentimentais.



Aos 55 anos de idade, Marty Friedman já não precisa provar nada a ninguém. Suas novas composições não deixam dúvidas de seu enorme talento musical, principalmente quando explora fusões rítmicas. O tema "Whiteworm" é um ótimo exemplo, hiper pesado (que som matador de guitarra!) e repleto de mudanças ritmícas e variações melódicas.


Há muitos a viver no Japão, Marty casa-se com a violoncelista japonesa Hiyori Okuda em 2012. Por lá desenvolveu carreira a solo, produziu outros artistas, montou sua própria editora, e como não poderia deixar de ser, absorveu muita da cultura japonesa também, o que ficou patente em álbuns como o "Scenes" de 92. No entanto em "Wall of Sound" isso é quase inexistente, estando muito mais próximo musicalmente do ótimo "Inferno" de 2014. Os convidados especiais não abundam desta vez, mas só potencializaram canções como "Sorrow and Madness" com Jinxx (Black Veil Brides) nos violinos, "Pussy Ghost" (black metal?!) com Shiv Mehra do Defheaven nas guitarras extra, e finalmente "Something to Fight" com Jørgen Munkeby (Shining) nas vozes. Este último inclusive o único tema cantado neste disco, e tem até solo de saxofone! E que porrada! Me fez lembrar algo dos projetos de Devin Townsend. Apesar dos momentos pesados abundarem, há espaço é claro para temas como "Miracle", uma doce balada neoclássica.



É sempre bom poder acompanhar a produtividade criativa de um músico durante décadas. E Marty Friedman é um daqueles que valeu muito a pena ter por perto. É sempre boa música, se reinventando a cada álbum, a cada etapa de vida superada. Sem dúvidas, um dos melhores discos instrumentais que eu ouvi em 2017.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - IGORRR



Quem me conhece pessoalmente sabe que tenho um gosto peculiar por projetos inconvencionais. Claro que esse gosto só se apurou ao longo de muitos anos ouvindo as mais diversas vertentes de música de todos os cantos do mundo. Portanto não estou a espera que o Igorrr esteja no paladar de quem é iniciante em música pesada, ou de veteranos puristas que nunca abandonam a zona de conforto. A digestão não é fácil, está claro, principalmente para quem não suporta música eletrônica.

Gautier Serre, o mentor deste projeto Francês, afirma que só quer fazer a música que ama, que faça sentido para ele próprio, sem restriões, e sem questionar se será muito complexa ou muito além do que as pessoas estão a espera de ouvir. E é justamente por isso que essa fusão de elementos do metal extremo, da música eletrônica, e da música clássica/barroca, é das mais originais que já tiva a oportunidade de ouvir nesta década. E olha que já ouvi de tudo! Um ótimo exemplo é o tema "Opus Brain" que mesmo abusando dos breakbeats e manipulações eletrônicas, se revela intenso e belo pelo meio, antes do ataque de blastbeasts no final. Confira no video abaixo:



Entre as músicas mais geniais do álbum estão na minha opinião "Houmous" (com homenagem aos  videogames no final), "Spaghetti Forever" (uma balada acústica com viés clássico e passagens extremas), "Cheval" (com o acordeão e a voz da soprano em destaque novamente - veja o videoclipe abaixo), e "Au Revoir" que encerra o disco de forma magistral. Previsível apenas a dicotomia calmo/agressivo, que é explorada incansavelmente, e de forma muito extrema neste novo disco.




Agora para quem quiser sentir a faceta mais 'neanderthal' do projeto, sem tantas fusões, experimente o tema "Apopathodiaphulatophobia", pois a entrega gore grind deve agradar até fãs de Morbid Angel, banda que diga-se de passagem, Gautier já remixou para uma compilação em 2012.

Apesar de considerar a idéia interessante, a faixa de abertura "Viande" não é nada mais do que um exercício catárquico e onomatopéico. Já as explorações dicotômicas em "Leud" me agradam bem mais, onde a belíssima voz de Laure Le Prunenec surge já a meio da música para fazer o contraponto aos gritos angustiantes de Gautier Serre no início da canção. Confira no video abaixo:

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

MOM TOP 30 2017 Countdown - PALLBEARER


O ano foi muito bom para o doom metal, várias bandas em destaque em diversas listas entre os melhores lançamentos do ano, entre eles "Mirror Reaper" do Bell Witch e "Hamartia" do Novembers Doom. Também tivemos bons álbuns do gênero aqui no Brasil, como o debut homônimo do The Evil ou "RLC" do Saturndust. Teve outra estréia muito boa também, projeto da Nova Zelândia, mas esse ainda deve aparecer aqui no TOP30. Decidi então dar mais umas ouvidas neste "Heartless", terceiro opus do grupo norte-americano Pallbearer, e apesar de notar uma certa despretenciodade musical, posso afirmar que todo o "hype" sobre o grupo tem fundamento.

Intenso e melancólico, somos envolvidos pela negritude das guitarras, compassadas a meio-tempo, em canções que beiram o prog, tudo muito equilibrado e condizente com a carga emocional das letras que falam sobre a mortalidade, vida e amor. O tom é soturno, como não poderia deixar de ser, afinal trata-se de doom metal tradicional. Talvez o diferencial aqui seja o vocal limpo do guitarrista Brett Campbell, registro que permite uma maior leveza na audição, e consequentemente uma maior alcance de sua música. Excetuando alguns momentos mais intensos, o álbum é bem tranquilo de digerir, e o Pallbearer faculta a possibilidade de uma imersão mais aprofundada, mesmo no caso do ouvinte  menos habituado a esta sonoridade em particular.

Confira abaixo o tema de abertura "I Saw The End", retirado do álbum "Heartless".


MOM TOP 30 2017 Countdown - Diablo Swing Orchestra



Desde o meu primeiro contato com o álbum "Sing Along Songs for the Damned & Delirious" de 2009, que tenho o Diablo Swing Orchestra como um dos grupos Suecos mais ousados a surgir na última década. Depois disso já lançaram o ótimo "Pandora's Piñata" em 2012, e agora este surpreendente "Pacifisticuffs" no início deste mês. Confesso que até então nunca havia reparado no conteúdo lírico do D.S.O., pois sua música é tão ampla e envolvente, que eu me perdia imerso na sofisticada abordagem musical, hipnotizado, e rendido pela amplitude de referências atemporais.

As letras são uma ferramenta importante quando se quer contar uma história ou passar uma mensagem forte. Foi casual ter reparado nelas desta vez, talvez por causa da menor consistência rocker do álbum, não sei. A versatilidade, a criatividade, o bom gosto, tudo está lá presente, porém desta vez há uma alegria contagiante no ar, um tom festivo, um cuidado extremo nas partes mais calmas, que beiram o pop mainstream. Para ilustrar melhor, leve em consideração a presença de um violoncelista, um trompetista e um trombonista entre os integrantes fixos do grupo, então o trabalho orquestral é perfeito, os arranjos de metais idem.

A grande novidade em "Pacifisticuffs" é a estréia da vocalista Kristin Evegård, que desde 2014 ocupa o lugar deixado por Annlouice Lögdlund, a soprano que agora se dedica exclusivamente a carreira operística. "Jigsaw Hustle", o single de avanço lançado naquele ano, serviu para oficializar a mudança, e deixou muitos (como eu) um pouco céticos para o novo longa, principalmente devido a abordagem discoteca deste tema em particilar. Confira o lyric video abaixo com Kristin nas vozes.


Claro que os dois guitarristas da banda (Daniel e Pontus) também cantam, e isso ajuda muito na parte harmônica, na interpretação das letras e nos revezamentos vocais. Mas Kristen tem potencial, faz um trabalho seguro, mais etéreo e "indie" que as vocalistas anteriores, e tem espaço para evoluir. Infelizmente isso não foi possível de abstrair somente com a audição isolada deste single, tema que agora ressurge remixado no álbum.

Nada por aqui é ao acaso, e no geral o trampo das músicas está realmente incrível, mesmo nos pequenos interlúdios instrumentais, que servem como pontes entre as músicas. Destaque também para a estréia do baterista Johan Norbäck, que substitui a altura seus antecessores.

Ainda bem que tive a oportunidade de ouvir "Pacifisticuffs" nos últimos dias, pois eu sabia que estava diante de mais um grande álbum do Diablo Swing Orchestra. Um álbum que cresce a cada audição, destacando-se pela descontração e fluidez que contrastam com o tom profundo das letras, seja nas mensagem de amor "Knuckelhugs", ou nas mensagens de liberdade em  "The Age Of Vulture Culture" e "Superhero Jagganath" e "Lady Clandestine Chainbreaker".

O D.S.O. é um grupo que nasceu com uma proposta diferenciada de fazer um grande caldeirão musical onde cabe de tudo um pouco, rock, swing, tango, heavy metal, jazz, bluegrass, orquestral, tudo aqui é possível. E a energia dessa fusão ainda é muita mais intensa quando a mensagem é interceptada, pertinente, e bem vinda. O combo é imbatível, e recomendável a todos os ouvintes de mente aberta.

sábado, 23 de dezembro de 2017

MOM#149 Atlas do Rock - Portugal



Para encerrar a série de podcasts Atlas do Rock com chave de ouro, temos o prazer de apresentar um programa totalmente dedicado a Portugal. Em jeito de especial de Natal, destacaremos 6 bandas Portuguesas, cada qual com depoimentos exclusivos para os nossos ouvintes. São elas: LONTHRA, EARTH ELECTRIC, HOURSWILL, SHUTTER DOWN, TERROR EMPIRE e HEAVENWOOD.

O especial ainda conta com a participação especial de Manuel Joaquim, que comanda o programa Eclipse Metálico através da rádio Marcoense FM de Portugal desde 1997. Ele co-apresentará a segunda hora do programa, e irá destacar algumas das principais bandas Portuguesas que entrevistou em 2017. São elas: IBÉRIA, HOST, LYZZARD, SACRED SIN, GROG e CAVEMASTER.

A rádio Rock Freeday irá transmitir com exclusividade amanhã, dia 24 de Dezembro, véspera de Natal, a partir das 20h horário de Brasília. Logo depois o podcast ficará disponível para streaming e download nos canais Metal Open Mind do podOmatic, HearthisAt, Mixcloud e iTunes.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - EARTH ELECTRIC



Posso afirmar que conheço bem a cena underground Portuguesa, afinal foi o País que me acolheu por 14 anos. Lá fiz muitas amizades com músicos e bandas, principalmente na saudosa Lisboa onde morei, mas também em outros cantos que percorri, de sul a norte do País. Deixei Portugal em 2005 mas o laço permaneceu, sendo recentemente reforçado com a ponte lusófona mensal do Bastardos do Brasil no Eclipse Metálico de Portugal. Foi justamente por esse passado que escolhi retratar Portugal no derradeiro episódio da série de podcasts Atlas do Rock. Eu tinha que encerrar com chave de ouro, de forma especial, destacando o País que viu nascer o projeto Metal Open Mind há 15 anos atrás.

Mesmo estando longe de Portugal há 12 anos, acabei mantendo diversos contatos musicais, e as amizades virtuais perduraram. Talvez por isso tenho sido tão simples produzir esta edição especial,  que será transmitida em exclusivo para a rádio Rock Freeday na véspera de Natal. Dificil mesmo só a tarefa de escolher as melhores entre tantas bandas ativas nos mais diversos sub-gêneros do rock pesado. Felizmente há bandas como o Earth Electric a surgir no País de Camões, bandas que para além do profissionalismo, nos surpreendem por sua peculiar criação artística, tornando as escolhas de escribas como eu um pouco mais fáceis. Aqui no caso, uma obra envolvente e original, denominada "Vol 1: Solar", o ótimo debut de estréia do quinteto de Almada.

A sonoridade do grupo tem a assinatura do guitarrista Norueguês Rune Eriksen (ex-Mayhem), ele que também acumula funções nas bandas Aura Noir e Twilight of the Gods. Na voz temos a hipnotizante soprano Carmen Simoes, que dá o tom etéreo e quase angelical nas viagens musicais e progressivas do grupo. Ouça por exemplo a faixa de abertura "Mountains & Conquerors" com os teclados a darem a tonalidade obscura, num tema que me fez lembrar algo dos Suécos Ghost. Aliás a banda contou com a ajuda do produtor Jaime Gomez Arellano, nome ligado a bandas como Primordial, Sólstafir, e é claro, Ghost. Confira no video abaixo.




O grupo vai buscar referências no hard rock setentista de bandas como Deep Purple e Black Sabbath, e faz um blend musical recheado de riffs contagiosos, e muito misticismo e ritualidade típicos de bandas Nórdicas. Outros temas em destaque são "The Great Vast", "Solar", e "Sabbatical Moons". O álbum conta com uma ótima produção, a começar pela arte da capa, que já coloca o ouvinte intrigado em descobrir o universo deste misterioso e envolvente planeta elétrico. Uma banda para ficar de olho!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - DEFICIENCY



Descobri o Deficiency em Abril passado durante minhas pesquisas para o especial Atlas do Rock da França. O que chamou a minha atenção, foi seu thrash metal híbrido e de roupagem melódica, algo que até então poucas bandas tinham conseguido fazer com relativo sucessso. O grupo surgiu em 2009, e de lá pra cá lançou 3 álbuns de estúdio, todos eles conceituais. O último, "The Dawn of Consciousness", havia acabado de ser lançado quando tive a oportunidade de entrevistar o vocalista/guitarrista Laurent Gisonna para o podcast. Na ocasião ele definia o som da banda como Thrash Metal Melódico, abrangendo influências que vão do Death Metal ao Hardcore, passando pelo Progressivo e Sinfônico também. Confira a entrevista completa no player abaixo a partir de 2:08:28.



O tema de abertura "Newborn's Awakening" já mostra todo o potencial da banda nesse mix de guitarras thrash, velocidade, mudanças rítmicas e refrões melódicos e orelhudos. O que de certa forma coloca o grupo no mesmo patamar de bandas como Trivium ou Bullet For My Vallentine, embora sem a mesma produção ou pomposidade comercial dos congêneres norte-americanos. Confira o video desta música abaixo:

  

O Deficiency já alcançou alguma relevância na cena atual de seu País, já fizeram algumas tours pela Europa, ao lado de bandas como Suicidal Angels e Angelus Apatrida, para além da abertura para importantes headliners como Machine Head, Testament, Evile, etc,  mesmo assim ainda continuam pouco conhecidos em Países como o Brasil. Então fica aqui a oportunidade de conhecer melhor o som do grupo, que lançou um ótimo álbum cumprindo 100% da proposta, ou seja, expandindo a essência do thrash metal para um público que também sabe apreciar melodia.

domingo, 17 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - BODY COUNT


Faz tempo que o Rap fincou pé no universo rock/metal mundial, e o Body Count foi um dos mais bem sucedidos em difundir essa mistura no início da década de 90. Quando lançaram o debut homônimo em 1992, não imaginavam a polêmica que o single "Cop Killer" causaria, pois se tornou emblemático em retratar a brutalidade da polícia norte-americana. Mais tarde o grupo cede a pressões externas, e retira o tema do álbum, substituindo por uma versão de "Freedom of Speech", original do próprio Ice-t, de seu álbum a solo de 1989. Nada aqui é por acaso, afinal, temos ou não, liberdade de expressão?

Nínguem melhor do que um rapper para representar a realidade das ruas, ainda mais quando se é negro de classe baixa nos EUA. Quando a voz é o instrumento, é preciso usá-la com astúcia e precisão, é sua melhor ferramenta, em dar o tom, libertar a raiva, equilibrar a mente, acalmar o coração. O Ice-t é um dos caras que melhor uso fez desse recurso em sua carreira, primeiro como artista solo de hip hop, e posteriormente com o Body Count no rock/metal. Isso sem falar de sua promissora carreira no cinema e televisão, onde até fez papel de detetive de polícia, alvo recorrente de suas letras.

No entanto, o regresso musical nos anos dois mil passou meio ao lado, e só após o lançamento do álbum "Manslaughter" em 2014, que chamaram a minha atenção, mostrando uma sonoridade renovada, melhor produzida e pesada. A crueza punk e hardcore de outrora deu lugar a uma sonoridade bem mais heavy metal. Na novidade deste ano, intitulada "Bloodlust", o grupo resurge ainda mais intenso e pesado, tanto líricamente quanto musicalmente ao longo das 10 novas canções, para além é claro, da ótima versão da dobradinha "Raining Blood / Postmortem", do Slayer!

Sim, o pessoal curte muito a intensidade do thrash, o que também pode ser comprovado em temas como "Civil War", "Walk With Me" e "Bloodlust". Veja abaixo os videos para os covers de Slayer e para o tema "No Lives Matter", ambos com intros narrados muito especiais, o primeiro sobre a paixão pelo metal do Slayer, e no segundo sobre racismo e o valor da vida.





A personalidade forte e a postura racional de Ice-T nos temas que aborda, são sempre muito incisivos, e a música acompanha toda essa dinâmica dramática, sendo a trilha perfeita para passar mensagens tão fortes e realistas. Ouça por exemplo o tema "Black Hoodie", que fala (mais uma vez) sobre a brutalidade da polícia norte-americana, em mais um caso real retratado pelo Body Count. Lembre-se que já se passaram 25 anos desde a polêmica de "Cop Killer", e pouco ou nada mudou!


No entanto, o que mais supreende em "Bloodlust", é a coesão instrumental, o peso das guitarras de Ernie C, a cozinha diâmica de baixo/bateria, e é claro toda a vitalidade de Ice-T, que se impoem no verbo, rappeando e contageando com a melhor arma que possui, sua palavra! Confira no video abaixo mais um destaque do álbum, o tema "This Is Why We Ride", onde Ice-T explica o significado da vingança, e o porquê da banda existir. Confira!

MOM TOP30 2017 Countdown - Caligula's Horse


Ahh Austrália, mais uma vez surpreendes com uma grande banda!
O Caligula's Horse surgiu em 2011 e "In Contact" é já o seu quarto registro de estúdio, mais um belo álbum que mesmo sem grandes surpresas, consolida o quinteto como uma das grandes revelações mundiais em termos de rock/metal progressivo de cariz alternativo na última década.

O conceito do álbum é muito interessante, pois trata do espaço comum que nós partilhamos apesar de nossas diferenças. Trata da natureza da arte, da criatividade, da celebração daquilo que nos conecta enquanto seres vivos. Então, o grande desafio foi criar composições que suportassem toda a carga dramática dos personagens, de sua esperança amarga e tragédias. Histórias reais que se sucedem nos 4 capítulos do conceito de "In Contact".

O grupo consegue (de forma exemplar) respeitar a dinâmica da narrativa, e nos presenteia com 11 ótimas canções, cada qual com a sua parcela de importância no todo. O tema "Songs for No One", cujo video pode ser visto abaixo, surpreende, pelo tom da guitarra que transita bem por entre os vocais hiper harmoniosos de Jim Grey.


Outro tema estonteante, é "Will's Song (Let the Colours Run)", um mix de Dream Theater com Tool e um refrão repleto de layers e harmonias vocais envolventes. Confira no video abaixo.


Para quem ainda acha que não há nada de interessante sendo produzido pelas novas gerações, sugiro que descubram banda como TesseracT, Leprous, Haken, ou é claro, o Caligula's Horse! Um banda madura que dispensa gritos ou agressividade gratuita. Tudo é muito bem equilibrado, peso e melodia, sem nunca perder o foco da narrativa.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - GHOST SEASON



O lançamento da estréia de estúdio do grupo Ghost Season aconteceu na mesma altura em que eu preparava o especial Atlas do Rock sobre a Grécia, no final do primeiro trimestre de 2017. A promotora Clawhammer já havia nos fornecido uma cópia digital, e nos colocou em contato com o baixista Dorian Gates. No entanto, seria o guitarrista/produtor Nick Christolis, quem nos concederia entrevista exclusiva. Naquela ocasião, o músico estava excitado com o lançamento de "Like Stars in a Neon Sky" pela Pavement Entertainment, e com a tour européia que se avizinhava. Confira o depoimento do músico em nosso especial, a partir dos 15 minutos de programa, no player abaixo:



Tive portanto tempo suficiente para degustar esta novidade do quarteto Grego, oriundo de Atenas. Para além de Nick e Dorian, contam ainda com o eficiente vocalista Hercules Zotos (linha Jeff Scott Soto) e a pequena/grande baterista Helen Nota. Juntos fazem um metal alternativo de cariz melódico, bem executado, e com grande potencial comercial dentro do espectro da música progressiva atual. Músicas como "Sons of Yesterday", "Fade Away", "War of Voices", "The Vampire" e o bonus track "Break Me Shake Me", são as mais bem trampados de todo o álbum, compensando alguns momentos mais contidos, a meio tempo, ou em jeito de balada que ocorrem em alguns temas. Confira abaixo o video para o tema "Fade Away".




No geral este é um ótimo debut, que poderá agradar aos fãs menos exigentes de metal progressivo, principalmente aqueles que não se importam de transitar pelos meandros do rock/metal mainstream.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - GWAR


O Gwar surgiu há 34 anos através do Slave Pit Inc, um grupo rotativo de artistas e cineastas norte-americanos. A proposta musical rock/metal do coletivo, invarialmente crua e direta, aliada a uma estética gore baseada em temas de mitologia e ficção ciênctífica, foi o suficiente para manter o grupo ativo durante mais de 3 décadas. Carreira coroada por duas indicações ao Grammy (perderam para Annie Lennox e Nine Inch Nails), sem nunca deixar de lado o potencial comercial do nicho shock rock. Das telas do cinema aos quadrinhos, o GWAR se estabeleceu como um filme B com status cult da música underground.

A morte do vocalista Dave Brockie (Oderus Urungus, líder do grupo por 25 anos) em 2014 não decretou o fim do projeto, muito pelo contrário, pois deu aquela motivação extra para um resurgimento renovado. Pela primeira vez sem nenhum integrante original (a personagem feminina Vulvatron também ficou de fora), o octeto surpreende pela diversidade musical em mais uma trilha sonora apocalíptica, explorando diversos sub-generos do rock pesado com eficiência, do heavy metal mais tradicional, com na sabática "War On Gwar" (War Pigs revisitado); ao desert rock da energética "Viking Death Machine", numa pegada bem QOTSA. Temas como "El Presidente" podem até confundir o ouvinte, pois tem um pouco de Lordi, um pouco de Rob Zombie, e depois descamba para um refrão thrash de cunho hardcore. Mas a dinâmica é mesmo essa, quanto mais diverso, melhor.

Outro bom exemplo é o single "I'll Be Your Monster", que é um mix energético de hard rock e heavy metal, com sabor retrô. Confira o clipe abaixo cuja premiere aconteceu no passado dia 20 de Outubro, no mesmo dia do lançamento da álbum “The Blood of Gods” pelo selo Metal Blade.


Se variedade está no seu paladar musical, experimente o 'cardápio' renovado do Gwar sem preconceitos. “The Blood of Gods” está recheado de referências hardcore/metal ("Auroch", "Crushed by the Cross"), thrash/groove (The Sordid Solilloquy of Sawborg Destructo), metal tradicional ("Fuck This Place"), hard'n'heavy cadenciado ("Phantom Limb), e no geral toda essa amálgama sonora funciona a favor da temática viking intergalático destes mostruosos cães vadios alienígenas.

Ahh, e ainda tem um bonus track emblemático "If You Want Blood (You Got It)", uma versão do  clássico do AC/DC, aqui representando a essência sangrenta e 'gore' do Gwar. Acima de tudo, “The Blood of Gods”  é um disco honesto que entretém, e que dá mote para o espectáculo teatral que acompanha o enredo mitlógico destes seres horrendos que insistem em habitar o nosso planeta.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - King Gizzard & the Lizard Wizard



King Gizzard & the Lizard Wizard é um septeto Australiano formado em 2010 que vem se destacando no mercado independente mundial. Desde 2012 já lançaram 12 álbuns! Só em 2017 foram 4 álbuns de estúdio, sendo este "Polygondwandaland" a mais recente novidade.  Só pela produtividade já merecia um prêmio. Felizmente, o grupo compensa também em termos de criatividade, fusão sonora, e entrega ao vivo.

Foi justamente através de um show deles no festival NOS Primavera Sound na cidade do Porto (Portugal), que tomei contato com o som da banda. Isso no início deste ano, e confesso que fiquei intrigado com o que vi. Depois disso só ouvi os álbuns "Nonagon Infinity" de 2016, "Murder of the Universe" de 2017, e finalmente este "Polygondwandaland". Então, dentro daquilo que ouvi até agora, este é sem dúvida o mais progressivo, psicadélico, experimental, o melhor.


O tema de abertura por exemplo, "Crumbling Castle", é um carrossel que transporta o ouvinte numa viagem progressiva durante quase 11 minutos. Hipnótica no início, vai ganhando intensidade, velocidade, e no ápice descamba para um intenso doom metal???? E este nem é o melhor do álbum! Se isso não for suficiente para despertar o interesse em conhecer o potencial criativo da banda, então ignore completamente esta resenha, e passe para a próxima.

Agora, para quem ficou curioso e gosta de explorar os universos musicais de bandas como Radiohead, Tool, VoiVod, Pink Floyd, Yes ou Jethro Tull, mas ainda não conhece o som dos caras, confira por si próprio e adentre o universo do King Gizzard & the Lizard Wizard. Garanto que a fórmula não se repete no restante álbum, com músicas bem mais curtas, cada qual em sua imersiva exploração musical, do garage ao folk progressivo, tem de tudo um pouco nesse caldeirão mágico.

Destaques pessoais: "Loyalty", "Horology" e  "Inner Cell.

O álbum "Polygondwandaland" está disponível para download gratuito na plataforma bandcamp desde 17 de Novembro de 2017. Baixe agora!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - ARTIFICIAL LANGUAGE


O prog metal continua em alta, cada vez mais diversificado, e abraçando novas crias como é o caso do Artificial Language, quinteto oriundo da Califórnia, que ousa incrementar o gênro post-hardcore com elementos neo-clássicos/progressivos pouco comuns no metalcore atual.

Seguindo o mesmo caminho de bandas como Haken, Cynic e Leprous, o grupo consegue fazer um som com algum nível de complexidade, tendo como diferencial os arranjos e a abordagem de cariz erudita. A guitarra sempre muito harmoniosa, destila arpejos clássicos sem nunca chocar com a entrega emotiva do vocalista Shay Lewis. Aliás, vale a pena frisar que seu registro vocal mantém-se sempre limpo e melodioso, sem nunca precisar recorrer a registros mais intensos ou agressivos.

Assista ao video do tema "Unself Portrait" abaixo, que resume bem a proposta da banda. Com uma  introdução em piano clássico, e alguns arranjos de cordas pelo meio, o grupo vai costurando sua sonoridade melodiosa com bom gosto e harmonia. As mudanças rítmicas surgem naturalmente, sem exageros, equilibrando as partes mais pesadas com outras mais calmas. No fundo, o Artificial Language já sabe que o importante é a canção, a mensagem, e não cai na armadilha da virtuose.




O resultado geral é muito positivo, e mostra que até um debut despretensioso como este, pode se transformar num dos principais lançamentos do ano. "The Observer" é portanto um álbum incontornável para quem gosta de acompanhar bandas com personalidade e potencial dentro do universo progressivo/alternativo independente.

Guz69

MOM TOP30 2017 Countdown - VUUR


Todo ano tem aquela estréia que se destaca de toda a competição, trazendo uma sonoridade híbrida e refrescante dentro da cena do rock pesado. É justamente o caso do Vuur, que me conquistou desde o primeiro contato com "My Champion", tema que abre este ótimo debut "In this Moment We Are Free - Cities". O grupo é formado por músicos experientes e pra lá de talentosos, a começar é claro com a belíssima Anneke van Giersbergen, que encabeça mais uma estonteante aventura musical .

Assista o video do single "My Champion - Berlin"



A novidade "Cities" foi lançada em Outubro passado, e traz 11 canções, cada qual dedicada a uma grande capital do mundo, retratando a liberdade na ótica de quem vive numa metrópole. Até o Rio de Janeiro surge representado no tema "Freedom - Rio", em jeito de balada espirituosa, e com doses homeopáticas de peso. Vale lembrar que Anneke esteve no Brasil em 2015, na altura com o The Sirens, onde reinterpretou clássicos de seu início de carreira com o The Gathering.

O nome Vuur traduzido do Holandês significa "Fogo", e pode ser interpretado como "Paixão" ou "Combustível". E aqui no caso o combustível é o amor pela música pesada. Vuur foi escolhido para representar a faceta mais intensa e progressiva de Anneke. O diferencial é que o grupo consegue equilibrar o peso e a melodia de forma exemplar. O tom geral é melancólico e de grande carga dramática, quase pomposo em alguns momentos, mas super convincente em sua maior parte.

O instrumental é trampado e bem coeso, cortesia de ótimos músicos recrutados do line-up live do The Gentle Storm (último projeto musical de Anneke com Arjen Lucessen), somado ao guitarrista Jord Otto (ex-ReVamp). Então a vocalista está muito bem assessorada por aqui, e não faltam ganchos acústicos para fisgar o ouvinte na imersão das partes mais intensas.

Guz69

MOM TOP30 2017 Countdown - HEADCHARGER


Em setembro passado publiquei o podcast Atlas do Rock sobre a França. Durante a minha pesquisa para esse especial, acabei esbarrando em algumas bandas no bandcamp, e entre elas o Headcharger. Eu nunca tinha ouvida falar deles, mas reparei que a novidade "Hexagram" já era o seu sexto trabalho de estúdio, e que a banda já estava num estágio mais avançado de experiência. Entrei em contato com o compositor e baixista Romain Neveu, e ele na hora se mostrou interessado em participar, me enviando o álbum completo em formato digital, e depois também a versão física em digipack.

Então realmente pude ouvir com calma e apreciar na totalidade esta obra ROCK, pautado em groove e energia, deste cativante quinteto Francês. Sim, gostei bastante, principalmente da faceta energética de temas como "Dirt Like Your Memories", "The One You Want To Be" e a faixa de abertura "Coming back To Life", cujo video você pode conferir abaixo.



Há uma certa homogeneidade entre as 11 músicas que compoem "Hexagram", além de um conceito "Dr Jekyll & Mr Hyde" rolando como fio condutor das músicas, mas não têm como não destacar a semi-mamutesca "Feed Our Illusions" que encerra o álbum. Groove pesado, ótimos riffs, lembrando em partes algo de bandas como Alice in Chains, Tool e Mastodon, nada complexo mas muito eficiente. Espero realmente que eles explorem esse caminho mais denso, em mais temas no futuro.

Apesar da França nunca ter sido referência em rock pesado, tem sempre boas bandas surgindo por lá, e as que cantam bem em inglês, como o Gojira por exemplo, acabam se internacionalizando mais facilmente. Com o Headcharger não é diferente, já fizeram tour de suporte a várias bandas famosas, e também tocaram em grandes festivais, tais como Hellfest, Sonisphere e Bloodstock, na Europa.

Estão juntos há 20 anos, desde quando a banda ainda se chamava Doggystyle, e praticavam um crossover metal/hardcore. Ouvindo "Hexagram" nota-se claramente que o grupo amadureceu muito, e hoje faz juz em figurar entre os melhores álbums ano. Pelo menos dentre os que recebi em 2017 :)

Ouça o depoimento dos músicos Romain Neveu e Sébastien Pierre no player abaixo, o Headcharger é logo a primeira banda em destaque no programa.



domingo, 10 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - DEEP PURPLE



Nos próximos dias o Deep Purple irá fazer 3 shows no Brasil, nesta que será a última oportunidade do público Brasileiro ver de perto, lendas vivas como Ian Gillan, Roger Glover, Don Airey e Ian Paice.

Infelizmente, nunca tive a oportunidade de assisti-los ao vivo, e também não vou conseguir estar presente nesta "The Long Goodbye Tour". Da mesma forma que perdi a "The End" do Black Sabbath no ano passado. Até considerei alterar meus planos desse dia para assistir o festival Solid Rock, porém com a mudança de line-up, Cheap Trick no lugar do Lynyrd Skynyrd, acabei desistindo de vez. Talvez me arrependa, afinal os septagenários do Deep Purple ainda estão mandando muito bem, pelo menos em estúdio, vide este ótimo "inFinite".

Desde 94 que o line-up se mantém estabilizado com Steve Morse nas guitarras, o mais jovem da banda com 63 anos! Exceptuando é claro, a entrada do tecladista Don Airey após a morte de Jon Lord em 2012. Dos últimos 6 álbuns de estúdio, somente este "inFinite" me chamou realmente a atenção. Talvez seduzido pela belíssima fotomontagem da capa, onde o símbolo do infinito aparece desenhado pelos rastros da passagem de um navio pela crosta congelada do oceano. Até o logo surge renovado surgerindo classe e leveza, um cuidado com a imagem que não se via do Deep Purple desde o "Abandon" de 98. Já iscado pelo gancho da capa e do single de avanço "Time for Bedlam", separei o álbum para ouvir com calma, e me surpreendi em alguns momentos, e no geral gostei bastante.

Claro que não há nada bombástico aqui, nada muito fora do universo rock da banda, porém nada descartável também! Muito pelo contrário, o bom gosto predomina de forma homogênea do princípio ao fim da audição. Mas você precisa estar fisgado, pois quando se trata de músicos gabaritados com estes, não tem como produzir algo ruim ou decepcionante para ouvidos calejados.

Musicalmente, este vigésimo álbum de estúdio traz nove boas novas canções, para além de uma despretensiosa versão de "Roadhouse Blues" do The Doors. No geral muito groove, muita alma, muito blues, muita ginga, muita sabedoria, muita envolvência musical, muito Purple.

Me agrada especialmente quando tocam territórios progressivos, tal como na faixa de abertura "Time to Bedlam", num claro piscar de olho a suas origens. Outra faixa interessante é "The Surprising" cujo clipe abaixo é bem ilustrativo dessa nova fase. Uma canção longa, mas que em alguns momentos nos remete a sua gênese progressiva.





sábado, 9 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - SEPULTURA


Recebi pouquíssimo material de bandas Brasileiras este ano, quer seja de músicos ou de seus representantes. E não estou falando apenas de lançamento físico, ou CD, afinal não passo um dia sem receber promos digitais da Europa e EUA. É justamente com base nesse material que desenvolvo as pautas do Metal Open Mind. Curiosamente no Brasil, é sempre esse enguiço da praticidade, da falta de interesse, do "cada um por si", e a cena ao invés de crescer, vai-se diluindo em guetos. Enfim, sinal claro de que vivemos um momento carente de grandes inovações artísticas no meio underground.

Mesmo assim, devo dizer que algumas pratas da casa não decepcionaram, como é o caso do Sepultura, Shadowside, Dark Avenger, Vandroya e Project46. Angra só no ano que vem mesmo, então, quem é que lançou algo realmente estrondoso e/ou inovador este ano?

Bom, mesmo com um leque limitado de opções, não tem como não destacar a ótima fase do Sepultura na era pós-Roots com o conceitual "Machine Messiah". O tema da robotização da sociedade é muito pertinente nos dias de hoje, e o grupo vai fundo explorando a idéia de que o ser humano está se transformando em máquina. O ciclo final da criação da "Máquina Divina".

A temática do álbum está explícita no video de "Phantom Self". Já a proposta sonora  surpreende apenas do solo pra frente, quando o grupo explora um mix de elementos sinfônicos, melodias orientais, com tempero de música tradicional regionalista do Brasil, isso tudo num avassalador e intenso groove. O refrão é forte e funciona bem. Confira!


Instrumentalmente, temos um Sepultura super técnico, preciso, e destemido na exploração sonora das fronteiras de sua música extrema. Digna de destaque também está a prestação mostruosa de Eloy Casagrande, que assentou como uma luva na sonoridade moderna do grupo. Para além de igualar Igor Cavalera na intensidade da entrega, supera o ex-baterista na dinâmica e versatalidade.

Na parte vocal, Derek Green surpreende também, principalmente quando ele canta ao invés de berrar. Não que ele berre mal, mas esse registro "rasgado" é das coisas menos excitantes na sonoridade atual do grupo. O hiato maior entre álbuns de estúdio também ajudou na composição e produção do novo repertório, pois no geral o trampo de Andreas Kisser e Cia está realmente de alto nível.

Os destaques do álbum vão para as canções onde a diversidade vocal se fez mais presente, são elas: "Iceberg Dances", "Vandals Nest", "Cyber God" e a excelente faixa título "Machine Messiah". Seguindo firme nessa trilha evolutiva, não tardará ao Sepultura lançar sua derradeira obra prima, o disco apaziguador, que encerre o ciclo da banda de forma influente a nível global, e em unanimidade entre os fãs nacionais, muitos deles como eu, que acompanham o grupo mineiro há 3 décadas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - UNLEASH THE ARCHERS


No ano passado entrevistei a vocalista Brittney Hayes do Unleash the Archers para o especial Atlas do Rock sobre o Canadá. Eles haviam lançado "Time Stands Still" em 2015, debut para a Napalm Records, e estavam começando a mostrar seu potencial na Europa. Naquela oportunidade ela definiu a música praticada pelo grupo, como um Power Metal mix, com elementos sinfônicos e de metal extremo. Segundo seu depoimento, a composição musical seria sempre pautada de acordo com os sentimentos do momento, e que a base de tudo seria sempre o Heavy Metal, independente de sub-estilos.

Relembre a entrevista concedida para nosso podcast, na segunda hora do episódio abaixo:



Sólido e bem produzido, ouvir "Apex" é tudo menos decepcionante. Os vocais rasgados surgem pontualmente no meio da avalanche melódica proposta no álbum, mas sem nunca ofuscar o brilho da entrega vocal de Britney. Tais como os detalhes orquestrais, as partes agressivas estão perfeitamente inseridas nos momentos mais densos e sombrios das músicas. Sim, o Power Metal pode conviver com laivos de extremidade sonora também. E como é bom vê-lo forte e saudável em jovens bandas como o Unleash The Archers, que a cada álbum vem derrubando barreiras do preconceito, ultrapassando fronteiras de gêneros e estereótipos datados, e nos presenteando com suas melhores criações.

Confira o video oficial para o tema "Cleanse The Bloodline":



Para mim, o grande destaque do álbum é o tema "Ten Thousand Against One". Peso, melodia e intensidade na medida exata, numa levada meio Iced Earth, quase épico, e com um refrão demolidor.
Apesar da versatilidade, a proposta da banda é coesa e mantêm-se ao longo das 11 faixas, sem nunca descurar da vertente melódica ou do potencial comercial. Não por acaso entrou na tabela da Billboard pela primeira vez este ano, após uma árdua década de atividade. "Apex" é portanto, uma obra digna de figurar entre os melhores do ano em termos de Heavy Metal.

Guz69

MOM TOP30 2017 Countdown - GALACTIC EMPIRE



A franquia Star Wars fez a cabeça de várias gerações de jovens pelo mundo afora. É aceitável portanto, a existência de bandas como o Galactic Empire. Projeto que tem como o objetivo único,  reinterpretar de forma bombástica as principais trilhas compostas por John Willians para a saga de George Lucas.
O resultado final é um makeover metálico hiper trampado, convincente e 100% instrumental, onde o senso de humor também se faz presente, de forma sutil e bem conseguida. Confira nos videos abaixo.




No Galactic Empire, os vilões da franquia ganham vida através de cópias idênticas e rebatizadas.
Boba Sett (bateria), Bass Commander (baixo), Dark Vader (guitar), Shadow Ranger (guitar), e Red Guard (guitar), são na verdade alter egos de produtores e músicos rodados da cena local no Estado da Pensilvânia, na Filadélfia (EUA). O quinteto surgiu meio que do nada no ano passado, com o video para o tema principal de "Star Wars", e mêses mais tarde com o video da icônica "The Imperial March".




Com o impacto inicial do lançamento dos singles nas plataformas digitais, e da ótima recepção por parte da grande mídia e público em geral, o grupo atinge rapidamente a marca de 10 milhões de views no youtube. Como toda essa atenção gerada, não perdem tempo e arrecadam fundos na ordem de 60 mil dolares para financiar o lançamento do debut (Kickstarter), e de quebra, colocar de pé a logística ousada de sua primeira tour. Este disco só existe por causa do apoio de 755 fãs que bancaram os custos de sua produção! Uma realidade cada vez mais corriqueira, onde a simbiose entre as partes garante novos produtos e ações, através de um sistema de contribuição/recompensa justo e funcional.


No geral, trata-se de uma releitura audio-visual que funciona como um todo, atendendo em especial aos anseios compulsivos da geração nerd que existe entre os fãs de música pesada. Afinal, vivemos um repaginar do século XX em pleno século XXI, e a música, é claro, acompanha essa trend  revivalista, semi-nostálgica e semi-oportunista das franquias, que por vezes nos aprisiona no loop de adaptações do universo pop da ficção científica. Será que vai ter trilogia também?

Guz69

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

MOM TOP30 2017 Countdown - NEED



Imagine o tribalismo rítmico-hipnótico do Tool, somado a uma boa dose do prog emotivo do Evergrey, mas com potencial sônico do Nevermore? Não conhece nenhuma dessas 3 bandas? Então não vale nem a pena continuar a ler este review. Agora você que conhece e gosta das bandas que mencionei, procure este álbum aqui em particular e devore-o na totalidade. Eu garanto qualidade máxima, e no mesmo nível técnico das bandas citadas ou de outras como Symphony X e Fates Warning.

O Need é oriundo de Atenas, Grécia, e foram meus convidados no especial Atlas do Rock que produzi sobre a cena de seu País em Abril passado. Naquela oportunidade eles haviam acabado de lançar este "Hegaiamas: A Song for Freedom", o quarto álbum de originais em 14 anos de atividade. O vocalista John Vogiantzis estava muito entusiasmado com as críticas do álbum, e ansioso com a primeira tour em território norte-americano.

No player abaixo é possivel ouvir o programa inteiro, ou passar diretamente para o depoimento do vocalista John Vogiantzis após a primeira meia-hora do programa.


Estou muito orgulhoso de poder recomendar este grande trabalho de metal progressivo, oriundo de um País Europeu pouco provável a primeira vista. No canal oficial da banda no youtube vocês podem conferir os videos oficiais retirados de Hegaiamas, tais como "Rememory" e "Alltribe", abaixo:




Guz69

MOM TOP30 2017 Countdown - MASTODON


Confesso que demorei um pouco para subir no bonde do Mastodon este ano. Tudo por causa do single 'White Walker', lançado em 2015. Originalmente composto para a trilha sonora da 5ª temporada da série 'Game of Thrones', tratava-se apenas de uma bela balada acústica, nada muito surpreendente. Felizmente a novidade "Emperor of Sand" traz 11 novas canções repletas de energia, peso e coesão rítmica; elementos característicos da sonoridade inovativa e progressiva da banda. Para além disso, o álbum carrega uma grande dose de emoção, tendo sido inspirado pelas perdas recentes de familiares e amigos próximos dos músicos. O tempo é o fio condutor do conceito criado pela banda, por isso tantas reflexões nas letras sobre mortalidade e a luta pela sobrevivência. 

Entre as melhores músicas estão a mastodônica "Sultan's Curse" (que riffs!), a incrível "Steambreahter" onde o baterista Brann Dailor assume os vocais principais, e finalmente a apoteótica "Jaguar God", que é uma verdadeira montanha russa ao longo de seus 8 minutos (!), onde o 'Imperador do Tempo' é revelado. Isso sim é uma balada progressiva de respeito.

Confira o surreal video do tema Steambreahter abaixo!



Se você curte apenas a faceta mais melódica da banda, não deixe de conferir "Cold Dark Place", um ótimo EP de 4 músicas lançado em Setembro, 6 mêses após o lançamento de "Emperor of Sand".

Guz69

MOM 2017 TOP30 Countdown - One by One



A contagem regressiva do TOP30 Rock/Metal de 2017 do MOM já começou e será concluída no dia 31 de Janeiro. Cada dia um post com um álbum em destaque, de banda profissional e com clipe.

As escolhas irão refletir quesitos como imagem, apresentação, originalidade, conteúdo, e é claro, a música em si. Até o momento tivemos acesso a 1.220 álbuns lançados durante o ano. A esmagadora maioria fruto de downloads promocionais das próprias bandas, de seus agentes e gravadoras.

No formato físico recebemos muito pouco este ano, infelizmente. Por isso faço questão de incluir alguns dos melhores CDs que recebi fisicamente, desde que reflitam os quesitos já mencionados.

Acreditamos que serve de incentivo para que um maior número de bandas e agentes façam o mesmo, e desta forma podermos criar uma comunidade mais fortalecida e informada.

O torrent também foi uma valiosa ajuda em termos de pesquisa e avaliação. De outra outra forma nunca chegariam até nós tantos lançamentos importantes de bandas já estabelecidas. Não tem como ignorar a existência de milhares de bandas que populam o universo rock/metal do Planeta.

Esta lista pessoal do Guz69 reflete acima de tudo o caráter mente aberta que o MOM tem proporcionados nos últimos anos. O mais importante é ir atrás do que é bom, do que tem qualidade, do que nos informa, e do que nos inspira de alguma forma em nossas vidas.

Acompanhe os post diários e deixe seu comentário.
Quero saber quais foram os teus favoritos também.

Guz69

sábado, 4 de novembro de 2017

Bastardos do Brasil, agora também no youtube.

Agora o público Brasileiro também poderá conferir as entrevistas exclusivas feitas para o programa Eclipse Metálico de Portugal, através de nosso canal no youtube.



Para acompanhar as transmissões inéditas pela rádio Marcoense FM, todo primeiro domingo do mês, às 22h no horário de Portugal ou 18h no horário do Brasil, acesse este link:

Bandas interessadas em participar devem enviar seu mais recente trabalho físico para o Metal Open Mind ao cuidado de Gustavo Scafuro.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

MOM#148 Atlas do Rock - Zealandia


O Atlas do Rock regressa em Outubro com um especial dedicado ao novo continente Zelândia, trazendo depoimentos inéditos de músicos das bandas Devilskin, Suede Arcade, The World Will Burn, Enter the Soil, Deathnir, Just One Fix, Ignite the Helix e Hunt the Witch.

Do hard rock mais tradicional ao doom metal mais extremo, teremos mais uma vez um programa eclético com o que de melhor se produz atualmente na Nova Zelândia em termos de rock/metal.

O programa será transmitido com exclusividade pela webradio Rádio Rock Freeday no Sábado, dia 21 de Outubro às 19h, com reprise no Domingo, dia 22/10, no mesmo horário. Quem perder o streaming poderá conferir posteriormente em nossos canais do hearthis.at, podomatic, mixcloud e iTunes. Abaixo uma video playlist com as bandas deste especial. Confira!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

MOM#147 Atlas do Rock - África


O Atlas do Rock regressa com um super especial sobre o continente Africano, trazendo depoimentos inéditos de músicos das bandas Juggernaught, Riddlebreak, Psordid, Kings of Improg, Megalodon, Dividing the Element, Arka'n, Dor Fantasma e Soradra. Para além da playlist com os últimos lançamentos das bandas convidadas, o programa ainda conta com a participação de Sashquita Northey, promotora e organizadora do SAMMA (South African Metal Music Awards), o prêmio de música pesada da África do Sul. 

O programa será transmitido com exclusividade pela webradio Rádio Rock Freeday Sábado, dia 12 de Agosto às 19h, com reprise no Domingo, dia 13 de Agosto, no mesmo horário. Quem perder o streaming poderá conferir posteriormente em nossos canais do podomatic, mixcloud e iTunes.

Abaixo uma video playlist com as bandas deste especial. Confira!


sábado, 22 de julho de 2017

MOM#146 Especial Pure Steel Records



Hoje o nosso podcast regressa com um especial sobre a editoras independentes, destacando nesta primera parte o selo Alemão Pure Steel RecordsO programa traz entrevistas inéditas com os grupos Custard, Hellish War e Heaven's Guardian e será transmitido com exclusividade pela webradio Rádio Rock Freeday neste Sábado às 19h.

A playlist está recheada de bandas do catálogo da editora, tais como Vatican, Wretch, Sunless Sky, Ancestral, Attick Demons, Iron Curtain, SoulHealer, Distant Past, Rizon, Sarasin, Black Hawk, TormentoR e Ravager.

Haverá uma reprise do programa no domingo dia 23 no mesmo horário, e quem não conseguir ouvir o streaming poderá conferir posteriormente em nossos canais do podomatic, mixcloud e iTunes.

Abaixo um video teaser dos conteúdos deste especial. Confira!

 

domingo, 2 de julho de 2017

Bastardos do Brasil em Portugal!



A partir de Agosto o Metal Open Mind passará a assinar uma rúbrica mensal sobre o underground Brasileiro no programa Eclipse Metálico de Portugal. Bandas nacionais que quiserem participar deverão enviar material físico para nosso endereço de contato habitual, e serão selecionadas e entrevistadas por Gustavo Scafuro.

O convite de parceria partiu de Manuel Joaquim, que comanda semanalmente o programa de 3 horas de duração há 20 anos, todos os domingos das 22-01h (GMT+1) na rádio Marcoense 93.3 FM.

Não perca essa oportunidade de ter sua música divulgada em Portugal!

domingo, 4 de junho de 2017

MOM#145 Atlas do Rock - França

O Atlas do Rock regressa este mês com um super especial dedicado a França!

O programa apresenta 10 bandas emergentes do cenário Rock/Metal Francês, selecionadas e apresentadas por Gustavo Scafuro e Edilson Pichiliani.

Participações especiais de músicos integrantes das seguintes bandas:

SCARLEAN - Metal Progressivo
SMOKEHEAD - Hard Rock Alternativo
DEFICIENCY - Thrash Metal Melódico
IRON BASTARDS - Fast Rock’n’Roll
HEADCHARGER - Heavy Rock
PSYKUP - Metal Experimental
EKLYPS - Folk Metal
LUNATIC POWER - Metal Progressivo
ARCADIA - Metal Sinfônico
WHYZDOM - Metal Sinfônico

Abaixo você confere a playlist com os clips oficiais das bandas envolvidas:

terça-feira, 2 de maio de 2017

MOM#144 Atlas do Rock - Grécia

O Atlas do Rock regressa em 2017 com um super especial dedicado a Grécia! O streaming já está disponível no Mixcloud e iTunes, e download/streaming temporário no podOmatic.

O programa apresenta 7 bandas de Rock/Metal da Grécia, selecionadas e apresentadas por Gustavo Scafuro. Participações especiais de músicos integrantes das bandas na seguinte ordem de apresentação:

HIDDEN IN THE BASEMENT - Stoner/Heavy Rock
GHOST SEASON - Modern Rock/Metal
NEED - Progressive Metal
MARAUDER - Power Metal
INNERWISH - Melodic Power Metal
WARDRUM - Melodic Power Metal
CAELESTIA - Melodic Death Metal

Abaixo você confere a playlist com o vídeo de apresentação e clips oficiais das bandas envolvidas:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Metal Open Mind vai acabar?

Algumas pessoas tem me perguntado o que vai acontecer com o Metal Open Mind, se o podcast vai acabar, se o blog vai continuar, etc. Para responder a estas perguntas é necessário entender alguns pontos importantes:

1. O Projeto Metal Open Mind foi criado de forma independente em 2000, e assim deverá se manter por tempo indetermindado. Parcerias são sempre bem vindas, mas só se perpetuam quando se trata de benefício mútuo.

2. Durante todos esses anos, colaborei pontualmente com diversos outros projetos (revistas especializadas, sites, blogs e web rádios), tendo como combustível somente a minhão paixão por música. Não tenho formação jornalística, e nunca pretendi fazer desse hobby uma profissão.

3. Tudo o que produzi através do Metal Open Mind foi de iniciativa pessoal, e embora tenha contado esporadicamente com alguns colaboradores, todo o conteúdo apresentado é de minha total e exclusiva responsabilidade.

4. Nos últimos 4 anos produzi inúmeros podcasts que foram transmitidos por diferentes rádios na internet. A experiência foi positiva, porém o alcance ainda é muito limitado e o feedback quase nulo. A idéia é mantê-lo para ocasionalmente divulgar playlists especiais baseadas no material mais relevante enviado por bandas ou suas editoras.

5. É fácil manter ativo um blog como este, porém pretendo lançar um novo site mais dinâmico e visualmente mais interessante, e assim poder divulgar os novos projetos do MOM que vão surgir a partir de Abril. Como sou eu que faço toda essa parte de programação, design e gestão de conteúdos, só irei fazer a migração quando estiver 100% satisfeito com o mesmo.

6. Para 2017 minha grande meta é transpor para o youtube um pouco daquilo que fiz até agora com o MOM e explorar novas formas de divulgação através de vlogs dinâmicos e interativos. O canal existe há alguns anos e já conta com cerca de 500 inscritos, embora nunca tenha feito nada específico por lá. A idéia é dar a conhecer mais daquilo que sou e penso enquanto ser humano, compartilhar meu conhecimento enquanto colecionador de música, e minha experiência como músico e fã de música.

6. A mudança é fundamental, uma constante em nossas vidas que se reflete naquilo que somos e fazemos. Assim também será com o Metal Open Mind, que irá continuar propondo novidades, quebrando barreiras, e disseminando o que de melhor acontece no universo rock sem fronteiras.

Gustavo Scafuro | Guz69
youtube.com/user/Guz69

MOM 2016 TOP30 - Parte 1/6

Em 2016 tive acesso a 1324 álbuns dentro do espectro Rock/Metal mundial, e dentre eles listo abaixo os 30 melhores em minha opinião. A grande novidade deste ano é que inclui 10 bandas Brasileiras entre os melhores álbuns, afinal foi um ano extremamente produtivo para o cenário nacional.

Vale lembrar que se trata de um TOP de escolhas estritamente pessoal, ordenado alfabeticamente, e que mais uma vez representa bem o carácter sem fronteiras do Metal Open Mind.

Os primeiros 5 grandes destaques de 2016, você confere a seguir nas resenhas abaixo.

por Guzz69

30


O AIRBOURNE é uma banda de Hard Rock oriunda da Austrália e formada em 2003. Breakin’ Outta Hell é já seu quinto trabalho de estúdio, contando é claro com o EP Ready to Rock, a estréia independente de 2004. O quarteto é liderado pelos irmãos O'Keeffe, e continua a seguir os passos musicais de seus conterrâneos AC/DC, com uma fórmula musical muito similar, o que para muitos pode revelar alguma falta de criatividade... No entanto, se tivermos em consideração o ano atribulado que teve a banda de Angus Young com as saídas do vocalista Brian Johnson e do baixista Cliff Willians, a último tour com Axl Rose, e as indefinições quanto a seu futuro, podemos considerar o Airbourne como um dos principais candidatos a assumir seu legado. Rock simples e direto, com refrões marcantes e ritmos contagiantes. Sem dúvidas um dos melhores albuns do gênero lançado em 2016.

29


O AMARANTHE é um dos melhores exemplos de como o metal mais extremo pode flertar com a pop music com vigor e personalidade sem ser pedante ou descartável. Maximalism é o quarto trabalho de estúdio deste sexteto Suéco liderado pela bela vocalista Elize Ryd (com o vocal agressivo de Jake E. a fazer o contraponto), e vem consolidar uma carreira em constante evolução, marcada até o momento por singles de sucesso, videos com milhões de views no youtube, e diversas tours pelo mundo. Vale lembrar que um dos álbuns precursores deste fenômeno pop metal foi o incrível Pop Divas Goes Metal de 2001, onde o guitarrista alemão Rob Counterforce recriava hits da música pop em versão metalizada. Desde então surgiram inúmeras bandas a explorar este nicho, e o Amaranthe é sem dúvidas um dos mais bem sucedidos neste sub-gênero do Heavy Metal. Quebrou-se o tabu, e provou-se que o heavy metal também pode ser pop, sem perder peso e qualidade.

28


Primeira banda Brasileira a figurar neste Top e também responsável por um dos melhores lançamentos nacionais de 2016. O ANCESTTRAL é um quarteto Paulistano que não esconde sua paixão por uma das maiores referência do thrash metal mundial, o Metallica. O grupo é liderado pelo talentoso Alexandre Grunheidt na guitarra e voz, e já conta com mais de 10 anos de carreira. No entanto, Web of Lies é apenas seu segundo álbum de longa duração, sucessor da estréia The Famous Unknown de 2007. Com uma produção independente, imaculada e acima da média, o novo álbum traz um rol de ótimas canções que invariavelmente nos remetem ao que de melhor James Hetfield e Cia produziram nos últimos 30 anos, mas sem nunca precisar recorrer a cópia carbono. A essência do thrash está lá, porém sua música têm personalidade própria, letras inteligentes e um potencial impressionante. O Ancesttral é também um grupo que não se inibe de absorver referências do metal contemporâneo, fazendo sua música soar autêntica e atual. Web of Lies é sem dúvidas um disco revigorante e imprescindível na coleção de qualquer metalhead que se preze.

27


O que dizer dos norte-americanos ANIMALS AS LEADERS sem parecer redundante? Já me tinham convencido plenamente com o álbum The Joy of Motion de 2014, e conseguem com este The Madness of Many elevar a fasquia em termos técnicos e criativos. Sim, a música é instrumental, polirítmica, e por vezes auto-indugente, porém de extrema qualidade e originalidade. O trio se mostra em plena forma técnica, e é sem dúvidas um dos nomes mais sonantes da geração djent. Músicas como Arithmophobia e Ectogenesis, as duas primeiras do novo trabalho parecem criações alienígenas de tão fora do padrão terrestre, captando o interesse do ouvinte a descobrir a totalidade da obra. O Animals as Leaders não cansa de nos surpreender, e este último álbum é apenas uma pequena amostra da extrema capacidade músical do grupo, que funde como poucos as nuances do jazz com a pulsação eclética do Rock pesado sem fronteiras.

26


Album de estréia deste quinteto norte-americano de Massachusetts que pratica uma sonoridade progressiva bem diferenciada, que se enquadra como uma luva na geração Post-Metal/Shoegaze atual, onde ambiências espaciais repletas de melodias etéreas transportam o ouvinte para a descoberta de novos mundos, através de uma avalache de riffs e ritmos invarialvelmente desenfreados e arrebatadores. No geral a atmosfera é emocional e convidativa, porém intensa e intrigante. Há uma sensação de urgência na busca do desconhecido sempre presente nesta obra do ASTRONOID, onde o grupo se mostra bastante confortável explorando dicotomias rítmicas a cada faixa, enquanto a voz açucarada do guitarrista Brett Boland preenche todos os espaços de forma simples e harmoniosa. Bandas como Cynic e Alcest são referências assumidas pela banda, mas em Air surgem bem disfarçadas por entre camadas de intensidade, personalidade e emoção.

MOM 2016 TOP30 - Parte 2/6

25


O BLACK STONE CHRERY é um quarteto de Hard Rock norte-americano oriundo de Edmonton, Kentucky. Este é seu quinto trabalho de longa duração e o primeiro por sua nova editora, a Mascot Label Group. O disco traz 12 novas canções de extremo bom gosto, com muito groove e peso que baste também. A banda é excelente, e tive a oportunidade de conferir todo o seu potencial ao vivo quando da passagem pelo Brasil no Maximus Festival em Setembro passado. A banda assume com muita personalidade influências que vão do Soul ao R&B, dando amplitude e memorabilidade ao seu post-grunge de cariz sulista. A voz do guitarrista Chris Robertson continua a ser destaque em Kentucky, sempre potente e emotiva, mas é o conjunto da obra que torna este disco tão especial. Afinal são ótimos músicos, e sabem tocar com alma (Soul Machine) e simplicidade (The Rambler) também.

24


O BORKNAGAR é um daqueles grupos que nasceram da necessidade de quebrar barreiras impostas por gêneros musicais limitativos. O guitarrista Norueguês Øystein Brun fundou a banda em 95 disposto a criar uma sonoridade mais melódica e progressiva dentro de uma cena musical cada vez mais extrema em seu País. Desde então lançou 10 álbuns de estúdio, sendo este Winter Thrice sua mais recente obra prima. Lembro que foi dos primeiros álbuns a me chamar a atenção no ano passado, pois com poucas audições era possível sentir algo único e especial sobre o mesmo. O álbum transporta o ouvinte em uma incrível viagem por mundos frios e desconhecidos, porém sem nunca nos abandonar pelo caminho. Pelo contrário, somos envolvidos por melodias de extremo bom gosto, o que nos faz sentir seguros e imponentes diante das tempestades sonoras que invariavelmente enfrentamos até o final.

23


O Stoner Rock esteve em evidência no ano passado com muitos shows de bandas gringas expoentes do gênero pelo Brasil, bem como por inúmeros lançamentos de bandas nacionais identificadas com essa onda retrô do estilo. O CATTARSE é uma dessas bandas a dar o seu contributo com muita personalidade em Black Water, seu segundo álbum de longa duração. O trio gaúcho foi formado em 2008 pelos irmãos Igor (guitarra e voz) e Yuri (baixo), aos quais se juntou o baterista Diogo Stolfo em 2012, consolidando a formação atual. Nos 9 temas do CD destilam um rock intenso e emotivo, com surpreendente maturidade e coesão. Sem dúvidas um lançamento diferenciado dentro do gênero, que cresce a cada audição, revelando um experimentalismo intrínseco pouco comum em bandas nacionais que bebem influências da fonte "Sabattiana".

22


Numa era em que muitos proclamam o fim do rock'n'roll, surge mais um super grupo para desafiar os mais céticos. O THE DEAD DAISIES foi formado em Sydney, Austrália pelo guitarrista David Lowy em 2012, mas conta atualmente com alguns integrantes do mais alto escalão do Hard Rock norte-americano, tais como o guitarrista Doug Aldrich, o baixista Marco Mendoza e o excelente vocalista John Corabi. Make Some Noise é seu terceiro trabalho de longa duração e inclui 12 canções orelhudas, com ritmos contagiantes, e repletas de energia positiva e descontração. Um álbum capaz de entreter os mais jovens entusiastas do Hard Rock, e também manter a esperança de quem cresceu ouvindo bandas como Aerosmith, Van Halen ou Guns'n'Roses.

21


Regresso em 2016 desta veterana banda de metal progressivo oriunda da Itália. Com mais de 20 anos de carreira chegam ao seu nono álbum de longa duração, mantendo o alto padrão musical patente em seus últimos trabalhos, nomeadamente os 3 três últimos desde a entrada do excelente vocalista Mark Basile. Apesar de algumas similaridade estilísticas com os norte-americanos Dream Theater, considero atualmente o DGM uma banda bem mais cativante e interessante, e The Passage é mais uma prova de que extremo bom gosto musical pode criar canções memoráveis num gênero musical muitas vezes pontuado por exageros instrumentais e referências demasiadamente óbvias. O álbum ainda conta com convidados especiais de peso como o vocalista Tom Englund do Evergrey na faixa Ghosts of Insanity, e o guitarrista Michael Romeo do Symphony X na faixa Dogma. Sem dúvidas um prato cheio para os fâs de metal progressivo.