Metal Open Mind: Fevereiro 2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O Metal Open Mind vai acabar?

Algumas pessoas tem me perguntado o que vai acontecer com o Metal Open Mind, se o podcast vai acabar, se o blog vai continuar, etc. Para responder a estas perguntas é necessário entender alguns pontos importantes:

1. O Projeto Metal Open Mind foi criado de forma independente em 2000, e assim deverá se manter por tempo indetermindado. Parcerias são sempre bem vindas, mas só se perpetuam quando se trata de benefício mútuo.

2. Durante todos esses anos, colaborei pontualmente com diversos outros projetos (revistas especializadas, sites, blogs e web rádios), tendo como combustível somente a minhão paixão por música. Não tenho formação jornalística, e nunca pretendi fazer desse hobby uma profissão.

3. Tudo o que produzi através do Metal Open Mind foi de iniciativa pessoal, e embora tenha contado esporadicamente com alguns colaboradores, todo o conteúdo apresentado é de minha total e exclusiva responsabilidade.

4. Nos últimos 4 anos produzi inúmeros podcasts que foram transmitidos por diferentes rádios na internet. A experiência foi positiva, porém o alcance ainda é muito limitado e o feedback quase nulo. A idéia é mantê-lo para ocasionalmente divulgar playlists especiais baseadas no material mais relevante enviado por bandas ou suas editoras.

5. É fácil manter ativo um blog como este, porém pretendo lançar um novo site mais dinâmico e visualmente mais interessante, e assim poder divulgar os novos projetos do MOM que vão surgir a partir de Abril. Como sou eu que faço toda essa parte de programação, design e gestão de conteúdos, só irei fazer a migração quando estiver 100% satisfeito com o mesmo.

6. Para 2017 minha grande meta é transpor para o youtube um pouco daquilo que fiz até agora com o MOM e explorar novas formas de divulgação através de vlogs dinâmicos e interativos. O canal existe há alguns anos e já conta com cerca de 500 inscritos, embora nunca tenha feito nada específico por lá. A idéia é dar a conhecer mais daquilo que sou e penso enquanto ser humano, compartilhar meu conhecimento enquanto colecionador de música, e minha experiência como músico e fã de música.

6. A mudança é fundamental, uma constante em nossas vidas que se reflete naquilo que somos e fazemos. Assim também será com o Metal Open Mind, que irá continuar propondo novidades, quebrando barreiras, e disseminando o que de melhor acontece no universo rock sem fronteiras.

Gustavo Scafuro | Guz69
youtube.com/user/Guz69

MOM 2016 TOP30 - Parte 1/6

Em 2016 tive acesso a 1324 álbuns dentro do espectro Rock/Metal mundial, e dentre eles listo abaixo os 30 melhores em minha opinião. A grande novidade deste ano é que inclui 10 bandas Brasileiras entre os melhores álbuns, afinal foi um ano extremamente produtivo para o cenário nacional.

Vale lembrar que se trata de um TOP de escolhas estritamente pessoal, ordenado alfabeticamente, e que mais uma vez representa bem o carácter sem fronteiras do Metal Open Mind.

Os primeiros 5 grandes destaques de 2016, você confere a seguir nas resenhas abaixo.

por Guzz69

30


O AIRBOURNE é uma banda de Hard Rock oriunda da Austrália e formada em 2003. Breakin’ Outta Hell é já seu quinto trabalho de estúdio, contando é claro com o EP Ready to Rock, a estréia independente de 2004. O quarteto é liderado pelos irmãos O'Keeffe, e continua a seguir os passos musicais de seus conterrâneos AC/DC, com uma fórmula musical muito similar, o que para muitos pode revelar alguma falta de criatividade... No entanto, se tivermos em consideração o ano atribulado que teve a banda de Angus Young com as saídas do vocalista Brian Johnson e do baixista Cliff Willians, a último tour com Axl Rose, e as indefinições quanto a seu futuro, podemos considerar o Airbourne como um dos principais candidatos a assumir seu legado. Rock simples e direto, com refrões marcantes e ritmos contagiantes. Sem dúvidas um dos melhores albuns do gênero lançado em 2016.

29


O AMARANTHE é um dos melhores exemplos de como o metal mais extremo pode flertar com a pop music com vigor e personalidade sem ser pedante ou descartável. Maximalism é o quarto trabalho de estúdio deste sexteto Suéco liderado pela bela vocalista Elize Ryd (com o vocal agressivo de Jake E. a fazer o contraponto), e vem consolidar uma carreira em constante evolução, marcada até o momento por singles de sucesso, videos com milhões de views no youtube, e diversas tours pelo mundo. Vale lembrar que um dos álbuns precursores deste fenômeno pop metal foi o incrível Pop Divas Goes Metal de 2001, onde o guitarrista alemão Rob Counterforce recriava hits da música pop em versão metalizada. Desde então surgiram inúmeras bandas a explorar este nicho, e o Amaranthe é sem dúvidas um dos mais bem sucedidos neste sub-gênero do Heavy Metal. Quebrou-se o tabu, e provou-se que o heavy metal também pode ser pop, sem perder peso e qualidade.

28


Primeira banda Brasileira a figurar neste Top e também responsável por um dos melhores lançamentos nacionais de 2016. O ANCESTTRAL é um quarteto Paulistano que não esconde sua paixão por uma das maiores referência do thrash metal mundial, o Metallica. O grupo é liderado pelo talentoso Alexandre Grunheidt na guitarra e voz, e já conta com mais de 10 anos de carreira. No entanto, Web of Lies é apenas seu segundo álbum de longa duração, sucessor da estréia The Famous Unknown de 2007. Com uma produção independente, imaculada e acima da média, o novo álbum traz um rol de ótimas canções que invariavelmente nos remetem ao que de melhor James Hetfield e Cia produziram nos últimos 30 anos, mas sem nunca precisar recorrer a cópia carbono. A essência do thrash está lá, porém sua música têm personalidade própria, letras inteligentes e um potencial impressionante. O Ancesttral é também um grupo que não se inibe de absorver referências do metal contemporâneo, fazendo sua música soar autêntica e atual. Web of Lies é sem dúvidas um disco revigorante e imprescindível na coleção de qualquer metalhead que se preze.

27


O que dizer dos norte-americanos ANIMALS AS LEADERS sem parecer redundante? Já me tinham convencido plenamente com o álbum The Joy of Motion de 2014, e conseguem com este The Madness of Many elevar a fasquia em termos técnicos e criativos. Sim, a música é instrumental, polirítmica, e por vezes auto-indugente, porém de extrema qualidade e originalidade. O trio se mostra em plena forma técnica, e é sem dúvidas um dos nomes mais sonantes da geração djent. Músicas como Arithmophobia e Ectogenesis, as duas primeiras do novo trabalho parecem criações alienígenas de tão fora do padrão terrestre, captando o interesse do ouvinte a descobrir a totalidade da obra. O Animals as Leaders não cansa de nos surpreender, e este último álbum é apenas uma pequena amostra da extrema capacidade músical do grupo, que funde como poucos as nuances do jazz com a pulsação eclética do Rock pesado sem fronteiras.

26


Album de estréia deste quinteto norte-americano de Massachusetts que pratica uma sonoridade progressiva bem diferenciada, que se enquadra como uma luva na geração Post-Metal/Shoegaze atual, onde ambiências espaciais repletas de melodias etéreas transportam o ouvinte para a descoberta de novos mundos, através de uma avalache de riffs e ritmos invarialvelmente desenfreados e arrebatadores. No geral a atmosfera é emocional e convidativa, porém intensa e intrigante. Há uma sensação de urgência na busca do desconhecido sempre presente nesta obra do ASTRONOID, onde o grupo se mostra bastante confortável explorando dicotomias rítmicas a cada faixa, enquanto a voz açucarada do guitarrista Brett Boland preenche todos os espaços de forma simples e harmoniosa. Bandas como Cynic e Alcest são referências assumidas pela banda, mas em Air surgem bem disfarçadas por entre camadas de intensidade, personalidade e emoção.

MOM 2016 TOP30 - Parte 2/6

25


O BLACK STONE CHRERY é um quarteto de Hard Rock norte-americano oriundo de Edmonton, Kentucky. Este é seu quinto trabalho de longa duração e o primeiro por sua nova editora, a Mascot Label Group. O disco traz 12 novas canções de extremo bom gosto, com muito groove e peso que baste também. A banda é excelente, e tive a oportunidade de conferir todo o seu potencial ao vivo quando da passagem pelo Brasil no Maximus Festival em Setembro passado. A banda assume com muita personalidade influências que vão do Soul ao R&B, dando amplitude e memorabilidade ao seu post-grunge de cariz sulista. A voz do guitarrista Chris Robertson continua a ser destaque em Kentucky, sempre potente e emotiva, mas é o conjunto da obra que torna este disco tão especial. Afinal são ótimos músicos, e sabem tocar com alma (Soul Machine) e simplicidade (The Rambler) também.

24


O BORKNAGAR é um daqueles grupos que nasceram da necessidade de quebrar barreiras impostas por gêneros musicais limitativos. O guitarrista Norueguês Øystein Brun fundou a banda em 95 disposto a criar uma sonoridade mais melódica e progressiva dentro de uma cena musical cada vez mais extrema em seu País. Desde então lançou 10 álbuns de estúdio, sendo este Winter Thrice sua mais recente obra prima. Lembro que foi dos primeiros álbuns a me chamar a atenção no ano passado, pois com poucas audições era possível sentir algo único e especial sobre o mesmo. O álbum transporta o ouvinte em uma incrível viagem por mundos frios e desconhecidos, porém sem nunca nos abandonar pelo caminho. Pelo contrário, somos envolvidos por melodias de extremo bom gosto, o que nos faz sentir seguros e imponentes diante das tempestades sonoras que invariavelmente enfrentamos até o final.

23


O Stoner Rock esteve em evidência no ano passado com muitos shows de bandas gringas expoentes do gênero pelo Brasil, bem como por inúmeros lançamentos de bandas nacionais identificadas com essa onda retrô do estilo. O CATTARSE é uma dessas bandas a dar o seu contributo com muita personalidade em Black Water, seu segundo álbum de longa duração. O trio gaúcho foi formado em 2008 pelos irmãos Igor (guitarra e voz) e Yuri (baixo), aos quais se juntou o baterista Diogo Stolfo em 2012, consolidando a formação atual. Nos 9 temas do CD destilam um rock intenso e emotivo, com surpreendente maturidade e coesão. Sem dúvidas um lançamento diferenciado dentro do gênero, que cresce a cada audição, revelando um experimentalismo intrínseco pouco comum em bandas nacionais que bebem influências da fonte "Sabattiana".

22


Numa era em que muitos proclamam o fim do rock'n'roll, surge mais um super grupo para desafiar os mais céticos. O THE DEAD DAISIES foi formado em Sydney, Austrália pelo guitarrista David Lowy em 2012, mas conta atualmente com alguns integrantes do mais alto escalão do Hard Rock norte-americano, tais como o guitarrista Doug Aldrich, o baixista Marco Mendoza e o excelente vocalista John Corabi. Make Some Noise é seu terceiro trabalho de longa duração e inclui 12 canções orelhudas, com ritmos contagiantes, e repletas de energia positiva e descontração. Um álbum capaz de entreter os mais jovens entusiastas do Hard Rock, e também manter a esperança de quem cresceu ouvindo bandas como Aerosmith, Van Halen ou Guns'n'Roses.

21


Regresso em 2016 desta veterana banda de metal progressivo oriunda da Itália. Com mais de 20 anos de carreira chegam ao seu nono álbum de longa duração, mantendo o alto padrão musical patente em seus últimos trabalhos, nomeadamente os 3 três últimos desde a entrada do excelente vocalista Mark Basile. Apesar de algumas similaridade estilísticas com os norte-americanos Dream Theater, considero atualmente o DGM uma banda bem mais cativante e interessante, e The Passage é mais uma prova de que extremo bom gosto musical pode criar canções memoráveis num gênero musical muitas vezes pontuado por exageros instrumentais e referências demasiadamente óbvias. O álbum ainda conta com convidados especiais de peso como o vocalista Tom Englund do Evergrey na faixa Ghosts of Insanity, e o guitarrista Michael Romeo do Symphony X na faixa Dogma. Sem dúvidas um prato cheio para os fâs de metal progressivo.

MOM 2016 TOP30 - Parte 3/6

20


O DIAMOND HEAD é uma daquelas bandas meio azaradas que nunca conseguiu grandes feitos durante sua carreira. De importância fundamental ao movimento NWOBHM dos anos oitenta, influenciaram bandas e estilos do outro lado do Atlântico sem nunca alcançarem o merecido sucesso comercial. Formados em 76 em Stourbridge (Inglaterra), não resistiram a inúmeras mudanças de formação e sonoridade ao longo dos anos. Ressucitados pela segunda vez desde 2000, contam atualmente com um único membro original, o guitarrista Brian Tatler. Para este regresso homônimo de 2016 recrutaram o vocalista Dinamarquês Rasmus Andersen, que ajudou a dar uma nova identidade para banda, revitalizando sua sonoridade para os tempos atuais. Músicas como Shout at the Devil e Wizzard Sleeve nos transportam a clássicos de outrora, enquanto temas como a incrível Bones revelam o potencial de uma banda renovada e pronta para voos mais audaciosos.

19


O HAKEN é uma das bandas mais interessantes da nova geração rock/metal progressivo oriunda de Londres, e Affinity é já seu quarto trabalho de longa duração. Meu primeiro contato com a banda foi através do EP Restoration de 2014, e apesar de conter apenas 3 temas, me fez ansiar por este novo trabalho que presta tributo ao prog dos anos 80. Minhas expectativas eram altas, e a banda não decepciona nesta novidade que prima por uma excecução acima da média, e uma musicalidade calcada na variedade e bom gosto. O conteúdo lírico também é destaque, tratando de temas como inteligência artificial e a relação do homem com máquinas e computadores. Algumas passagens nos remetem aos melhores momentos de dinossauros do rock como Yes e Rush, enquanto em outros momentos o grupo apresenta uma abordagem mais moderna e pesada. E é justamente este mix entre o clássico e o contemporâneo que faz de Affinity um dos melhores albuns do gênero em 2016.

18


O multi-instrumentista Norueguês Vegard Sverre Tveitan, mais conhecido como IHSAHN da banda de Black Metal Emperor, vem lançando álbuns a solo desde 2006, sendo este Arktis já seu sexto trabalho de estúdio. Confesso que a banda Emperor nunca me chamou a atenção, apesar de serem referência da cena BM mundial. Talvez por isso, este álbum tenha me surpreendido tanto, afinal o músico explora diversos espectros do rock com muita personalidade sem nunca esquecer seu passado dentro da música mais extrema. A faceta progressiva está bem evidente também, beirando o épico em temas como Mass Darkness, e o Hard Rock em Until I Too Dissolve. O músico alterna vocais "limpos" com seu característico registro "sujo", e o resultado é pra lá de convincente. No entanto, é o experimentalismo presente em Crooked Red Line, com direito a solos de saxofone, um dos momentos mais intimistas e inusitados de todo o álbum.

17


O Metalcore vem se consolidando como o gênero preferido das novas gerações de músicos que curtem as sonoridades mais extremas do heavy metal. Aqui no Brasil o movimento vem ganhando força com inúmeros lançamentos de qualidade, tais com este Despertar do jovem quinteto Cearense IN NO SENSE. O diferencial desta estréia em longa duração está na potência das canções, através de riffs matadores e uma excecução instrumental imaculada, para além de um extremo cuidado melódico nas harmonias vocais dos refrões a cargo do guitarrista Matheus Ferreira, enquanto o vocalista Jeferson Veríssimo vocifera letras em Português. A produção do disco também merece destaque, o que coloca a banda num patamar diferenciado perante a concorrência. Quem quiser conferir este petardo, poderá baixar gratuitamente através do site oficial da banda.

16


Formados pelo duo Jonas Renkse e Anders Nyström em 91, lançam 4 álbuns antes de se estabilizarem como quinteto em 2000. Deixando para trás o passado Death Metal, lançam outros 5 álbuns pautados por uma sonoridade mais melódica e progressiva, embora sempre negra, intimista e emocional, garantindo-lhes um maior reconhecimento a nível mundial. O mais recente trabalho The Fall of Hearts mantém o excelente nível alcançado em Dead End Kings (2012), mesmo com algumas mudanças na formação, nomeadamente a entrada do guitarrista Roger Öjersson e do baterista Daniel Moilanen. Tive a oportunidade de conferir esta nova formação em sua última passagem pelo Brasil no Overload Fest, e pude confirmar a excelência do novo repertório ao vivo. O KATATONIA é uma banda madura, que musicalmente faz o que quer sem se prender a rótulos, mas sempre de forma irrepreensível, tocando fundo o coração e a alma de seus fãs.

MOM 2016 TOP30 - Parte 4/6

15


O KING BIRD é uma banda inspirada na expressão musical dos anos 70, fazendo o elo com o Hard Rock dos anos 80/90 com muito bom gosto e personalidade. Oriundo de São Paulo, o quarteto se mantém ativo desde 2002, chegando em 2016 ao seu terceiro álbum de longa duração através deste ótimo Got Newz. Em 2010 o vocalista João Luiz havia deixado o grupo para se juntar a banda Casa das Máquinas, e só em 2014 o lugar viria a ser ocupado pelo excelente vocalista Ton Cremon. Mas esta não é a única novidade neste novo álbum, visto que a banda apostou numa produção mais cuidada e atual. Confesso que há muito tempo não ouvia uma banda Brasileira com um repertório tão bem executado, maduro, e simultaneamente orelhudo. Do primeiro ao último tema não há nada negativo a apontar. Uma verdadeira lufada de ar fresco na cena Hard Rock made in Brasil.

14


O Black Metal nasceu na década de 80 como sub-gênero de bandas que tinham em comum o conteúdo lírico anti-Cristão, independente de sua sonoridade musical. Nos anos 90 surgiu uma segunda vaga de bandas na Noruega que acabou definindo a sororidade do estilo, invarialvelmente pautado pelo minimalismo, crueza nos riffs, blast-beats, e vocais demoníacos. Aos poucos o estilo foi se tornando popular mundialmente, com produções cada vez mais cuidadas, e o consequente uso de teclados, elementos orquestrais, entre outros. Contrariando seguidores e puristas, algumas bandas vem surpreendendo com a fusão do Black Metal com outros estilos, tais como o Folk, o Doom e o Shoegaze. Uma das mais recentes novidades é o flerte com o Rock'n'Roll, e o KVELERTAK é sem dúvida o fenômeno do momento. Não tem como ouvir Nattesferd sem deixar escapar um sorriso maroto de aprovação pela audácia e efetividade. E olha que já é o terceiro álbum de longa duração nessa pegada em 10 anos. É meus caros amigos, o Black'n'Roll veio para ficar!

13


Excelente estréia discográfica dos cariocas MOTORGUN pela independente norte-americana Grooveyard Records. Em quase uma hora de duração destilam 10 canções do mais puro Hard Rock com uma coesão e maturidade raramente vistos no Brasil. O trio é formado pelo ótimo guitarrista Bebeto Daroz, dono de uma voz potente e aveludada, e pela eficiente secção rítmica de Edinho no baixo e Leo Mello na bateria. A tônica aqui é o groove pesado e contagiante onde os riffs de guitarra tem papel preponderante. A influência do Blues também é realçada em temas mais cadenciados como Call me a Loser e Whiskey, Women And A Whole Lotta Blues, este último com um título que resume bem este trabalho como um todo. Juntamente com o King Bird, propocionaram os álbuns mais bem conseguidos e relevantes do Hard Rock nacional em 2016.

12


A música extrema está cada vez mais rica e diversificada, e o OCEANS OF SLUMBER é a mais nova promessa para derrubar barreiras dentro do Heavy Metal. O sexteto norte-americano foi fundado em 2011 na cidade de Houston no Texas, e Winter é apenas o seu segundo álbum de longa duração. Com influências que vão da música country ao Jazz, o grupo passeia com grande competência por diversas sonoridades da música extrema, construindo a cada tema uma identidade musical surpreendente e única. A belíssima e apaixonante voz de Cammie Gilbert é o fio condutor que percorre os mais diversos estados de espírito do álbum, sempre muito bem assessorada por um instrumental dinâmico e impecável que não se intimida com o experimentalismo que ela proporciona. Seria imprudente colocá-los na prateleira do metal progressivo, visto que a banda tem potencial para esgotar qualquer tentativa de limitar sua criatividade.

11


O OPETH é uma das bandas mais incríveis da Suécia, que ao longo de 27 anos vem surpreendendo o mundo com uma carreira pautada pelo experimentalismo de seu principal compositor, o guitarrista e vocalista Mikael Åkerfeldt. Sorceress é seu décimo segundo trabalho de longa duração, o primeiro pela Nuclear Blast, e mantém como costume o alto nível alcançado na última década. Intrincado e progressivo, o album apresenta 9 novas canções envolventes que transportam o ouvinte a um universo de dicotomias, onde guitarras acústicas e solos de teclado podem coabitar com a intensidade e peso do heavy metal. Mikael não renega suas origens do Death Metal, mas soube evoluir musicalmente transpondo barreiras estilísticas e criando sua própria identidade. Pelo caminho mergulhou fundo no rock progressivo dos anos 70, o que mais uma vez fica patente em suas atuais composições. Emocional, transcendente e essencial.

MOM 2016 TOP30 - Parte 5/6

10


O PONTO NULO NO CÉU é uma jovem banda Catarinense que pratica uma sonoridade abrangente dentro daquilo que se convencionou chamar de Nu-Metal na década de 90, fundindo elementos do hip hop e funk em canções pontuadas pela alternância entre linhas melódicas suaves e envolventes, a intensidade de riffs de guitarra down-tuned, e uma secção rítmica variada e em perfeita coesão. Bandas como Linkin Park, Incubus, P.O.D. e até Korn são boas referências da vertente aqui apresentada, muito embora não delimitem sua criatividade. Os registros vocais são bem variados e adequados aos diversos estados de espíritos propostos por suas canções, ora declamados em jeito RAP, ora gritados a pleno pulmões. As letras em Português também são destaque, pois tratam de problemas sociais e existênciais, propondo a reflexão, mudanças de atitude, e a busca de soluções. Tal com o título do álbum parece indicar, Pintando Quadros do Invisível é um fiel retrato de uma banda em busca de sua própria identidade, ansiosa por um mundo melhor ainda que imersa numa realidade conflitante e por vezes surreal.

09


Vira e mexe surge uma nova banda que resgata aquele blues rock setentista inspirado em bandas como Led Zeppelin, tornando-se inevitável as comparações com Janis Joplin, quando a mesma é liderada por uma voz feminina. Depois da revelação Suéca Blues Pills de uns anos atrás, parece que chegou a vez dos Norueguêses PRISTINE. O grupo foi formado em 2006, e é liderado pela vocalista Heidi Solheim. Reboot é o terceiro trabalho de estúdio de sua carreira, e conta com 10 canções de uma simplicidade estonteante, pontuadas por performances emotivas e energéticas da ruiva. O carro chefe é o tema de abertura Derek, mas há muito mais por (re)descobrir por aqui. No geral trata-se de um álbum simples, mas variado e muito bem conseguido; um refrescante retorno ao passado que já lhes valeu um contrato com a Nuclear Blast. Se o objetivo é resgatar a essência do rock, e do blues, então o quarteto está no caminho certo. A popularidade há de vir cedo ou tarde, pois felizmente essa tendência retrô insiste em persistir.

08


Mais uma grata surpresa nacional, o RECKONING HOUR é um quinteto oriundo do Rio de Janeiro na ativa desde 2012. Lançaram o EP Rise of the Fallen em 2013, e mais recentemente Between Death and Courage, sua estréia em longa duração. A sonoridade do grupo pode ser descrita como um mix de Death Metal Melódico com Metalcore, ou simplesmente Deathcore Melódico. O registro vocal de J.P. é sem dúvida o grande destaque pois é bem diverso em todas as músicas, indo do gutural ao gritado sem grandes dificuldades, e com registros "limpos" e melódicos sempre presentes, balanceando bem as composições, e sem saturar em qualquer dos extremos. A produção também é ótima, o que torna a audição do disco ainda mais agradável. Os músicos são tecnicamente muito bons, e alternam dinâmicas com grande coesão, enquanto riffs perturbadores e solos bem conseguidos abundam nas 12 músicas do álbum. Ao todo são 50 minutos de audição, onde seu ouvido é literalmente devastado por essa avalanche sonora que não deixa nada a dever a bandas como Trivium e Killswitch Engage.

07


O THANK YOU SCIENTIST é um grupo norte-americano de rock progressivo oriundo de Montclair, New Jersey. O septeto surgiu em 2009, tendo lançado um Ep em 2011 e o ótimo debut de 2014. Neste Stranger Heads Prevail o grupo está um pouco menos intenso, abusando (no bom sentido) de mudanças de andamentos, solos, e passagens mais suaves e melódicas. Talvez a grande diferença aqui seja um maior cuidado em termos de arranjos e harmonias vocais. O vocalista Salvatore Marrano é dono de uma voz melódica e convidativa, que apesar de ser muito semelhante ao registro vocal do Claudio Sanchez (Coheed and Cambria), se encaixa perfeitamente na sonoridade "montanha russa" do grupo. Vale lembrar que contam com um violinista, um saxofonista e um trompetista como membros fixos. Dito isso, pode-se esperar canções memoráveis, com um instrumental intrincado típico do jazz fusion, porém com uma acessibilidade pouco comum em termos de rock progressivo.

06


O TREAT é um grupo oriundo de Stockholm na Suécia, que surgiu no boom do Hard Rock da segunda metade dos anos 80. Lançaram 5 álbuns até colocarem um ponto final na carreira em 93 devido a falta de sucesso comercial. Em 2005 a compilação Weapons of Choice é lançada e atinge um supreendente sucesso de vendas a nivel mundial, o que motiva o regresso da banda no ano seguinte. Ghost of Graceland é apenas o segundo álbum desde sua reformulação, mas ouso afirmar que é o melhor de toda a sua carreira. O álbum anterior Coup de Grace (2010) já indicava uma ligeira mudança de sonoridade, mais Melodic Metal e menos Hard Rock, o que neste último trabalho ficou ainda mais evidente. Aqui destilam 12 temas em mid-tempo pra lá de orelhudos e com uma produção cristalina digna de nota. Da formação original apenas se encontram o vocalista Robert Ernlund e o guitarrista Anders Wikström, sendo o baixista Pontus Egberg a única novidade na atual formação. Um álbum altamente recomendado, principalmente para quem é fã de bandas clássicas como Danger Danger, Europe e Dokken, ou de bandas da nova geração como H.E.A.T., Nordic Union e Eclipse.

MOM 2016 TOP30 - Parte 6/6

05


Que grata surpresa ter descoberto o TWELVE FOOT NINJA, uma daquelas bandas fora de série que surgem de tempos em tempos para dar uma lufada de ar fresco na cena alternativa do rock. Basta ouvir um pouco de sua música para perceber que estamos diante de uma banda diferenciada, que não se preocupa com rótulos, e funde de forma criativa diversos gêneros de música. Claro que uma referência específica vem à tona - Faith No More - tanto pelo excelente registro vocal de Kin Etik, como pela inerente fusão musical. No entanto a música do TFN consegue ser bem mais pesada e contundante, repleta de riffs acutilantes, dinâmicas desconcertantes, e arranjos de extremo bom gosto. Outlier é apenas o segundo álbum de longa duração deste quinteto Australiano, mas o groove do Funk presente por aqui têm uma pertinência raramente vista rock pesado. A propósito, os videoclipes são imperdíveis, hilários e 100% fiéis a proposta criativa de sua música.

04


Quem viveu o rock pesado no Brasil na década de 80, sabe a dificuldade que as bandas enfrentavam para produzir seus álbuns, e como as coisas aconteciam lentamente. Muita coisa mudou desde a virada do milênio, e o acesso a instrumentos e equipamentos de qualidade vem facilitando a formação de uma nova geração de músicos capazes de produzir seus próprios trabalhos com uma qualidade equiparada ao que se faz lá fora. Dentro da atual avalanche de lançamentos de projetos nacionais, fica quase impossível acompanhar tudo o que é produzido, mas é inegável o potencial desta nova geração independente. Dentro deste contexto, destaco o VENICE, jovem grupo oriundo do Rio de Janeiro, que faz um som bem pesado e atual, equilibrado entre o sensível e o energético, e com boas doses de fúria e adrenalina. Descontando alguns pontuais clichês, Santuário é sem dúvida uma ótima estréia, contém 8 canções que revelam uma banda no caminho certo do auto-conhecimento, purgando impurezas da alma e as negatividades da vida.

03


É impressionante constatar a vitalidade do Thrash Metal nos dias de hoje, quer seja pelos mais recentes lançamentos de grandes nomes do gênero como Metallica, Testament, Anthrax e Megadeth, assim como pelas inúmeras bandas fiéis ao estilo que surgem e/ou se consolidam nas mais variadas partes do mundo. No Brasil não poderia ser diferente, e em 2016 não faltaram ótimos lançamentos do gênero através de bandas como It's All Red, Nervosa, Ancesttral, e é claro, o WOSLOM! O quarteto Paulistano chega a seu terceiro trabalho de longa duração, superando o ótimo Evolustruction de 2013, e atingindo o ponto mais alto da carreira até o momento. Com um excelente novo repertório em mãos, excursionam pela Europa e Rússia, e ganham respeito e devoção do público nacional. Tive a oportunidade de assistir seu matador set no palco Thunder Dome no Maximus Festival em Setembro passado, e posso afirmar que o material incluído neste A Near Life Experience funciona tão bem em estúdio quanto ao vivo. As comparações com Megadeth podem até ser inevitáveis, porém o potencial aqui apresentado pode (e com certeza irá) fazer deles um novo ícone do gênero no Brasil.

02


Depois que o vocalista Tim Lambesis foi preso em 2013, os restantes músicos do As I Lay Dying começaram a trabalhar num novo projeto chamado WOVENWAR juntamente com o vocalista/guitarrista Shane Blay que acumula funções na banda Oh, Sleeper. Em 2014 lançam o debut homônimo pela Metal Blade, que é bem recebido por crítica e público, e se consolidam como banda a tempo integral. Honor is Dead é o passo natural seguinte, que mesmo sem fugir à proposta metalcore atual, eleva a fasquia no quesito intensidade/melodia, resultando em músicas fortes, memoráveis e de grande apelo comercial. O conteúdo lírico também é digno de nota, pois tratam de temas sociais e políticos que afligem o mundo de hoje, e denotam uma preocupação em conectar com o ouvinte através de questões existenciais pertinentes que vão muito além da esfera do entretenimento. De fato um ótimo trabalho que distribui raiva e emoção em doses homeopáticas.

01


YURI FULONE é um multi-instrumentista oriundo de São Paulo ativo com seu projeto solo desde 2010. Sua música evoca o espírito épico do Heavy Metal oitentista de bandas como Heavy Load, Manilla Road, Manowar e Virgin Steele, sendo esta última a influência mais notória, o que por si só já é algo pouco comum no cenário nacional. O álbum In The Steel You Can Trust é na verdade um trabalho compilatório lançado pelo selo norte-americano Stormspell Records, e que reúne seus 3 Ep's com a adição do tema inédito Asking The Wizard. Para mim é como se fosse um debut em longa duração, pois os temas mais antigos têm apenas dois anos de diferença em relação aos mais recentes, e as 16 canções (incluindo os 4 interlúdios instrumentais) funcionam bem com um todo. Claro que se nota a diferença de produção, e até mesmo a performance de Yuri de um trabalho para o outro, porém é preciso levar em conta que os EP's foram produzidos de forma independente e lançados de forma limitada. Quem sabe agora este trabalho possa dar a Yuri a visibilidade necessária para que ele tenha condições de regravá-lo num futuro próximo. Mesmo que isso não venha a acontecer, tenho a certeza que seus próximos trabalhos continuarão a enaltecer histórias de magos, guerreiros e batalhas através de hinos que só um estilo atemporal como o heavy metal é capaz de tão bem representar.