Metal Open Mind: MOM 2016 TOP30 - Parte 6/6

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

MOM 2016 TOP30 - Parte 6/6

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Que grata surpresa ter descoberto o TWELVE FOOT NINJA, uma daquelas bandas fora de série que surgem de tempos em tempos para dar uma lufada de ar fresco na cena alternativa do rock. Basta ouvir um pouco de sua música para perceber que estamos diante de uma banda diferenciada, que não se preocupa com rótulos, e funde de forma criativa diversos gêneros de música. Claro que uma referência específica vem à tona - Faith No More - tanto pelo excelente registro vocal de Kin Etik, como pela inerente fusão musical. No entanto a música do TFN consegue ser bem mais pesada e contundante, repleta de riffs acutilantes, dinâmicas desconcertantes, e arranjos de extremo bom gosto. Outlier é apenas o segundo álbum de longa duração deste quinteto Australiano, mas o groove do Funk presente por aqui têm uma pertinência raramente vista rock pesado. A propósito, os videoclipes são imperdíveis, hilários e 100% fiéis a proposta criativa de sua música.

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Quem viveu o rock pesado no Brasil na década de 80, sabe a dificuldade que as bandas enfrentavam para produzir seus álbuns, e como as coisas aconteciam lentamente. Muita coisa mudou desde a virada do milênio, e o acesso a instrumentos e equipamentos de qualidade vem facilitando a formação de uma nova geração de músicos capazes de produzir seus próprios trabalhos com uma qualidade equiparada ao que se faz lá fora. Dentro da atual avalanche de lançamentos de projetos nacionais, fica quase impossível acompanhar tudo o que é produzido, mas é inegável o potencial desta nova geração independente. Dentro deste contexto, destaco o VENICE, jovem grupo oriundo do Rio de Janeiro, que faz um som bem pesado e atual, equilibrado entre o sensível e o energético, e com boas doses de fúria e adrenalina. Descontando alguns pontuais clichês, Santuário é sem dúvida uma ótima estréia, contém 8 canções que revelam uma banda no caminho certo do auto-conhecimento, purgando impurezas da alma e as negatividades da vida.

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É impressionante constatar a vitalidade do Thrash Metal nos dias de hoje, quer seja pelos mais recentes lançamentos de grandes nomes do gênero como Metallica, Testament, Anthrax e Megadeth, assim como pelas inúmeras bandas fiéis ao estilo que surgem e/ou se consolidam nas mais variadas partes do mundo. No Brasil não poderia ser diferente, e em 2016 não faltaram ótimos lançamentos do gênero através de bandas como It's All Red, Nervosa, Ancesttral, e é claro, o WOSLOM! O quarteto Paulistano chega a seu terceiro trabalho de longa duração, superando o ótimo Evolustruction de 2013, e atingindo o ponto mais alto da carreira até o momento. Com um excelente novo repertório em mãos, excursionam pela Europa e Rússia, e ganham respeito e devoção do público nacional. Tive a oportunidade de assistir seu matador set no palco Thunder Dome no Maximus Festival em Setembro passado, e posso afirmar que o material incluído neste A Near Life Experience funciona tão bem em estúdio quanto ao vivo. As comparações com Megadeth podem até ser inevitáveis, porém o potencial aqui apresentado pode (e com certeza irá) fazer deles um novo ícone do gênero no Brasil.

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Depois que o vocalista Tim Lambesis foi preso em 2013, os restantes músicos do As I Lay Dying começaram a trabalhar num novo projeto chamado WOVENWAR juntamente com o vocalista/guitarrista Shane Blay que acumula funções na banda Oh, Sleeper. Em 2014 lançam o debut homônimo pela Metal Blade, que é bem recebido por crítica e público, e se consolidam como banda a tempo integral. Honor is Dead é o passo natural seguinte, que mesmo sem fugir à proposta metalcore atual, eleva a fasquia no quesito intensidade/melodia, resultando em músicas fortes, memoráveis e de grande apelo comercial. O conteúdo lírico também é digno de nota, pois tratam de temas sociais e políticos que afligem o mundo de hoje, e denotam uma preocupação em conectar com o ouvinte através de questões existenciais pertinentes que vão muito além da esfera do entretenimento. De fato um ótimo trabalho que distribui raiva e emoção em doses homeopáticas.

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YURI FULONE é um multi-instrumentista oriundo de São Paulo ativo com seu projeto solo desde 2010. Sua música evoca o espírito épico do Heavy Metal oitentista de bandas como Heavy Load, Manilla Road, Manowar e Virgin Steele, sendo esta última a influência mais notória, o que por si só já é algo pouco comum no cenário nacional. O álbum In The Steel You Can Trust é na verdade um trabalho compilatório lançado pelo selo norte-americano Stormspell Records, e que reúne seus 3 Ep's com a adição do tema inédito Asking The Wizard. Para mim é como se fosse um debut em longa duração, pois os temas mais antigos têm apenas dois anos de diferença em relação aos mais recentes, e as 16 canções (incluindo os 4 interlúdios instrumentais) funcionam bem com um todo. Claro que se nota a diferença de produção, e até mesmo a performance de Yuri de um trabalho para o outro, porém é preciso levar em conta que os EP's foram produzidos de forma independente e lançados de forma limitada. Quem sabe agora este trabalho possa dar a Yuri a visibilidade necessária para que ele tenha condições de regravá-lo num futuro próximo. Mesmo que isso não venha a acontecer, tenho a certeza que seus próximos trabalhos continuarão a enaltecer histórias de magos, guerreiros e batalhas através de hinos que só um estilo atemporal como o heavy metal é capaz de tão bem representar.

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